Banco central chinês adiciona 480 mil onças de ouro em junho e reforça estratégia de diversificação cambial
O banco central da China adicionou 480 mil onças de ouro às suas reservas em junho, a maior compra mensal em uma sequência de 20 meses. As informações são da Administração Estatal de Câmbio da China, divulgadas na 4ª feira (8.jul.2026).
O movimento evidencia um esforço mais amplo dos bancos centrais para diversificar as carteiras cambiais e se proteger contra riscos geopolíticos, à medida que um dólar mais forte e as mudanças nas expectativas para as taxas de juros pressionam os mercados globais.
As reservas oficiais de ouro da China subiram para 75,4 milhões de onças no fim de junho, segundo o banco central. O aumento superou as 330 mil onças adicionadas em dezembro de 2024 e estendeu para 20 meses consecutivos uma sequência de compras iniciada em novembro de 2024. Nesse período, o Banco Popular da China adicionou 2,6 milhões de onças de ouro.
O banco central intensificou as compras depois que os preços internacionais do ouro caíram mais de 10% em junho, recuando de cerca de US$ 4.540 por onça para aproximadamente US$ 4.000. A queda apagou o8 meses de ganhos e levou os preços de volta aos níveis registrados pela última vez em novembro de 2025.
O valor das reservas de ouro da China caiu para US$ 303,7 bilhões no fim de junho, uma redução de 20% em relação ao pico de US$ 387,5 bilhões registrado em fevereiro de 2026.
Os bancos centrais têm se mantido como compradores constantes do metal precioso. Uma pesquisa recente do Conselho Mundial do Ouro mostrou que um número recorde de 45% dos bancos centrais espera aumentar suas reservas de ouro nos próximos 12 meses, citando o desempenho do metal durante crises e seu papel como proteção contra a inflação.
As reservas cambiais da China caíram US$ 26 bilhões, ou 0,75%, para US$ 3,4163 trilhões em junho. O órgão regulador do câmbio atribuiu a queda às variações nos preços dos ativos e aos efeitos da taxa de câmbio, já que o Índice do Dólar subiu 2,3%, para 101,2, durante o mês.
A valorização do dólar foi impulsionada pelas expectativas de novos aumentos nas taxas de juros dos EUA, pelas declarações otimistas do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, e pelos dados econômicos resilientes do país, afirmou Wen Bin, economista-chefe do China Minsheng Banking Corp. Os ganhos ocorreram em um contexto de arrefecimento das expectativas de inflação, após um memorando de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã amenizar as tensões geopolíticas e derrubar o preço do petróleo Brent para US$ 70 por barril.
Este texto foi originalmente publicado pela Agência Caixin Global , em 8 de julho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.




