Sergey Cherkasov é acusado de fazer parte de uma rede de espionagem que se infiltrava em outros países
O governo federal determinou a expulsão do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso em Brasília e acusado de atuar como espião a serviço da Rússia. A decisão foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) na 2ª feira (6.jul.2026).
A medida consta da Portaria nº 6.737, assinada pela coordenadora de Processos Migratórios do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Alessandra Teixeira de Araujo. O ato diz que a expulsão só será efetivada depois do cumprimento da pena no Brasil ou caso haja liberação pelo Poder Judiciário.
A portaria também impede Cherkasov de voltar ao Brasil por 30 anos, prazo contado a partir da execução da medida. Leia a íntegra (PDF – 187 kB).
Cherkasov foi preso em 2022 depois de ser deportado pela Holanda. Ele tentava entrar no país europeu com documentos brasileiros falsos, sob o nome de Victor Muller Ferreira, para fazer estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.
O Serviço de Inteligência da Holanda afirmou à época que o russo trabalharia para o serviço de inteligência militar da Rússia e que o acesso ao tribunal seria valioso porque a Corte investigava possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.
No Brasil, Cherkasov foi condenado inicialmente a 15 anos de prisão por fraude documental. Em 2023, o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) reduziu a pena para 5 anos e 2 meses.
Ele também é investigado por suspeitas de espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção. Cherkasov nega ser espião. A Rússia também negou que ele atue para o país.
Segundo o FBI, Cherkasov começou a atuar no Brasil em 2012 usando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira. Depois, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou relações internacionais na Universidade Johns Hopkins e tentou se aproximar de instituições acadêmicas e políticas.
Em maio de 2025, a PF desmontou uma rede de espionagem russa que usava documentos brasileiros falsos. Segundo a investigação, ao menos 9 agentes russos operavam com RGs e CPFs forjados. O Brasil era usado como plataforma para criar identidades confiáveis e permitir a atuação dos agentes nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente Médio.
A decisão do governo brasileiro desagradou aos Estados Unidos. Segundo o jornalista Leandro Prazeres, da BBC, o Departamento de Estado norte-americano disse na 4ª feira (8.jul.2026) estar “profundamente preocupado” com a possibilidade de Cherkasov deixar o Brasil e voltar à Rússia.
“Essa decisão enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas”, afirmou o Departamento de Estado.
O destino de Cherkasov foi alvo de disputa entre Rússia e Estados Unidos. Moscou pediu a extradição sob a alegação de que ele responderia por tráfico de drogas. Washington também pediu que o russo fosse entregue aos norte-americanos, que o acusam de atuar como agente estrangeiro, usar documentos falsos e cometer fraudes financeiras.
A nova decisão do governo brasileiro trata de expulsão, não de extradição. A portaria não define o país de destino de Cherkasov, mas abre caminho para sua saída do Brasil depois de cumprida a pena ou de uma liberação judicial.




