Pré-candidato disse que Brasil perde espaço em negociações com EUA, China e União Europeia e defendeu agenda comercial mais ativa
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta 3ª feira (8.jul.2026) que o Brasil perdeu capacidade de negociação internacional e criticou a condução da política externa diante das barreiras comerciais impostas por parceiros estratégicos. A declaração foi feita durante a Agenda dos Presidenciáveis, promovida pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), em Brasília.
Segundo ele, o país enfrenta pressões simultâneas dos Estados Unidos, da China e da União Europeia sem apresentar uma resposta compatível com seu peso econômico. A avaliação tem relevância diante de um ambiente externo mais restritivo para as exportações brasileiras, com novas tarifas e exigências sanitárias que podem reduzir a competitividade dos produtos nacionais.
Ao tratar da política comercial, Caiado deu ênfase à necessidade de uma atuação diplomática voltada aos interesses do Estado brasileiro e criticou o que classificou como excesso de influência ideológica na condução das relações exteriores.
O governador declarou ser “inaceitável” que o Brasil esteja sujeito a sucessivas medidas comerciais sem demonstrar capacidade de negociação. Citou a possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas contra produtos brasileiros com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana e afirmou que o país precisa ter maior estatura diplomática para defender seus interesses.
Na avaliação de Caiado, o cenário se agravou porque outras economias também passaram a impor restrições às exportações brasileiras. Ele mencionou que a União Europeia estabeleceu novas exigências sanitárias para produtos como carne bovina, carne de frango, ovos e mel. Também afirmou que a China elevou tarifas sobre determinados produtos após o esgotamento de cotas de importação.
“Hoje, os americanos ameaçam com 25% pela Seção 301. A União Europeia estabelece novas restrições sanitárias. A China eleva tarifas. Onde está o Brasil nessa mesa de negociação? Qual é a estatura do país para sentar nessa mesa?”, declarou.
Caiado também criticou declarações de adversários políticos sobre a política tarifária dos Estados Unidos. Sem citar diretamente o contexto da disputa comercial, afirmou considerar inadequada qualquer manifestação que defenda o adiamento de medidas comerciais por conveniência eleitoral. O pedido foi feito pelo pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.
Para o governador, o país precisa concentrar esforços em projetos estruturantes capazes de ampliar a competitividade da economia brasileira. Ele citou investimentos em inteligência artificial, exploração de minerais críticos, biocombustíveis e fertilizantes como áreas estratégicas e afirmou que o Brasil dispõe de recursos naturais suficientes para ocupar posição mais relevante no comércio internacional.
Ao encerrar o tema, Caiado declarou que o Ministério das Relações Exteriores deve atuar em defesa dos interesses permanentes do Estado brasileiro. Segundo ele, o país precisa fortalecer sua capacidade de negociação para enfrentar um cenário de crescente protecionismo entre as principais economias do mundo.



