Guardas costeiras dizem ter expulsado embarcações na região das Senkaku, no mar da China Oriental
A Guarda Costeira do Japão afirmou ter retirado 2 navios chineses de águas reivindicadas por Tóquio perto das ilhas Senkaku, no mar da China Oriental, nesta 3ª feira (7.jul.2026). A China, que chama o arquipélago de Diaoyu, também declarou ter expulsado uma embarcação pesqueira japonesa da região. A informação foi publicada pela AFP e reproduzida pelo The Japan Times.
As ilhas são desabitadas e ficam entre Taiwan e Okinawa. O Japão administra o território, mas a China também reivindica a soberania sobre a área. A disputa gera tensão diplomática entre os 2 países há décadas e envolve uma região estratégica, próxima a rotas marítimas importantes e a áreas com possível presença de reservas de petróleo e gás.
Segundo a Guarda Costeira japonesa, 4 navios chineses navegavam ao redor da área antes de 2 deles entrarem nas águas que o Japão considera territoriais. Tóquio afirmou que as embarcações chinesas se aproximaram de um barco pesqueiro japonês e receberam ordem para deixar a região.
O órgão informou que os navios chineses deixaram as águas reivindicadas pelo Japão por volta das 9h20. Também disse ter posicionado embarcações ao redor do pesqueiro japonês para garantir sua segurança. Para Tóquio, a entrada dos navios chineses representou uma “violação do direito internacional”.
VERSÃO DA CHINA
Em comunicado, o porta-voz da Guarda Costeira da China, Jiang Lue, afirmou que o barco japonês Zuihou Maru entrou nas águas territoriais de Chiwei Yu, uma das ilhas do arquipélago disputado. Segundo ele, embarcações chinesas adotaram medidas para alertar e expulsar o pesqueiro “de acordo com a lei”.
Jiang declarou ainda que Diaoyu Dao e suas ilhas afiliadas são “território inerente” da China e pediu que o Japão interrompa o que Pequim considera atos provocativos na região.
O porta-voz afirmou que a Guarda Costeira chinesa continuará realizando operações de proteção de direitos e de aplicação da lei nas águas territoriais de Diaoyu Dao e de suas ilhas afiliadas para, segundo ele, salvaguardar a soberania territorial e os direitos marítimos da China.
TENSÃO ENTRE OS PAÍSES
Navios chineses já haviam entrado em águas reivindicadas pelo Japão em 10 de junho. Segundo a Guarda Costeira japonesa, porém, é incomum que embarcações chinesas se aproximem de barcos pesqueiros japoneses. Em dezembro de 2025, a China afastou uma embarcação japonesa da área. Em fevereiro de 2026, autoridades japonesas prenderam o capitão de um barco chinês.
O episódio amplia a tensão entre Pequim e Tóquio desde novembro, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrata, direita), afirmou que o Japão poderia intervir militarmente em caso de ataque chinês a Taiwan. A ilha é governada de forma autônoma, mas a China a considera parte de seu território.
Depois da declaração, Pequim condenou a fala de Takaichi, recomendou que seus cidadãos evitassem viagens ao Japão e endureceu restrições comerciais contra empresas japonesas. A China também reforçou sua presença marítima em áreas próximas a Taiwan e criticou as negociações entre Japão e Filipinas sobre zonas econômicas exclusivas no Pacífico.



