Foragido nos EUA, ex-deputado federal afirma desconhecer motivo de seu nome constar em investigação sobre lavagem de dinheiro
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) negou no domingo (5.jul.2026) ter contato com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, suspeito de chefiar a “máfia do cigarro” no Rio de Janeiro. A Polícia Federal encontrou o nome do ex-congressista em uma lista do bicheiro durante as investigações.
Ramagem rejeitou o vínculo e declarou sofrer perseguição. “Não conheço, nunca tive contato. É muito fácil botar meu nome numa lista, é muito fácil querer fazer perseguição. Não tenho vínculo nenhum com bicheiro, com ninguém. Estou aqui nos Estados Unidos mostrando as ilegalidades do governo Lula, do Judiciário e da cúpula da Polícia Federal”, disse à CNN.
O ex-deputado disse desconhecer o motivo de seu nome constar no documento e se declarou surpreso. “Olha, é muito difícil. Se botaram o nome do Felipe Martins aqui nos Estados Unidos, imagina botar meu nome numa planilha”, afirmou.
Alvo da 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na 5ª feira (2.jul.2026), Adilsinho já está preso preventivamente. A ação também prendeu o pastor Márcio Poncio. Segundo a Polícia Federal, a planilha com o nome de Ramagem detalhava pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro.
RAMAGEM DECLARA PERSEGUIÇÃO
O Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O político é considerado foragido nos Estados Unidos. O ICE (serviço de imigração norte-americano) prendeu o ex-deputado em abril, em Orlando, por problemas de visto. Dias depois, ele foi solto.
Ramagem voltou a afirmar perseguição política. “Isso também é perseguição. Estou com meu procedimento de asilo político em andamento e o Brasil, a Polícia Federal e o Judiciário não querem que a extradição seja verificada, porque é fácil demonstrar a perseguição”, afirmou.
“Eles quiseram armar, junto à imigração americana, uma falsidade para me deportar, mas o adido da Polícia Federal acabou expulso dos Estados Unidos”, completou o congressista, em referência à Corte brasileira.
OPERAÇÃO UNHA E CARNE
A operação Unha e Carne teve outras 4 fases, realizadas de dezembro de 2025 a maio de 2026. No início, a investigação apurava um possível vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Com o avanço das investigações, o caso passou a incluir suspeitas de conexões entre agentes públicos e integrantes de organizações criminosas.
A investigação está relacionada à ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que estabelece diretrizes para operações de segurança pública em comunidades do Rio de Janeiro. Entre outras providências, o STF determinou que a Polícia Federal conduza investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no Estado e suas conexões com agentes públicos.




