Moraes abre investigação sobre achados no celular de Wassef

Determinação vem de inquérito sobre as joias sauditas; advogado contesta validade da busca e apreensão feita há 3 anos

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ordenou a abertura de uma investigação sigilosa e separada sobre “eventos fortuitos” encontrados no celular de Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante o inquérito sobre as joias sauditas. Leia a íntegra (PDF – 145 kB).

A determinação foi assinada na 3ª feira (30.jun.2026), e a nova apuração corre à parte do inquérito original. Moraes concedeu 15 dias para que a Procuradoria Geral da República se manifeste sobre os achados da PF e sobre as “hipóteses criminais” levantadas pelos investigadores.

A decisão veio meses depois do pedido original da PF, feito em 4 de março de 2026. Naquela mesma data, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou o arquivamento da investigação principal, que apurava a apropriação, por parte de Bolsonaro, de objetos de luxo recebidos como presentes de autoridades estrangeiras durante seu governo e a venda ilegal de joias da Arábia Saudita no exterior.

Para Gonet, a ausência de lei específica sobre a destinação de presentes recebidos por presidentes da República inviabiliza uma denúncia por peculato contra Bolsonaro e seus aliados.

Ao analisar esse posicionamento, Moraes não arquivou a apuração e determinou que a PGR se pronunciasse especificamente sobre o pedido da Polícia Federal relacionado a Wassef.

Em abril, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) protocolou uma petição no STF pedindo que o ministro impedisse a abertura de novo inquérito com base em dados extraídos dos celulares do advogado, apreendidos em agosto de 2023.

O OUTRO LADO 

Em nota, Wassef contestou a validade da busca e apreensão que resultou na coleta de seu celular. O advogado afirma que a operação foi conduzida sem a presença de um representante da OAB, o que, segundo ele, torna o procedimento “nulo e ilegal”.

Wassef também questiona a relevância de qualquer achado no aparelho, dado que a apreensão se deu há 3 anos. “Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa”, afirmou o advogado em nota.

Leia a íntegra:

“As minhas prerrogativas como advogado foram seriamente violadas quando sofri busca e apreensão por 4 horas e meia, sem a presença de representante da OAB.

“O próprio ministro relator determinou que a busca fosse acompanhada por representante da OAB, e tal decisão judicial foi descumprida, afrontando toda a classe dos advogados do Brasil e criando um perigoso precedente.

“É nula e ilegal a busca e apreensão, estando viciada na origem.

“À parte disso, o lapso temporal de 3 anos e 3 meses não permite a figura do ‘evento fortuito’, sendo, na realidade, uma flagrante pesca probatória, ilegal e vedada pelo próprio STF.

“Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa.”


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