Contas públicas têm deficit de R$ 56,1 bi em maio, diz BC

Rombo acumulado em 12 meses equivale a 1,14% do PIB; dívida bruta sobe para 81,1%, maior patamar desde outubro de 2022

As contas do setor público consolidado registraram deficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. O resultado supera o deficit de R$ 33,7 bilhões observado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 12 meses, o rombo soma R$ 149 bilhões, o equivalente a 1,14% do PIB (Produto Interno Bruto). A dívida bruta avançou para 81,1% do PIB, o maior nível desde outubro de 2022. 

O resultado foi influenciado principalmente pelo Governo Central, que registrou deficit de R$ 55,2 bilhões. Os governos regionais tiveram deficit de R$ 1,2 bilhão, enquanto as empresas estatais apresentaram superavit de R$ 0,3 bilhão. Eis a íntegra (PDF – 394 kB) dos dados divulgados pelo BC (Banco Central) nesta 3ª feira (30.jun.2026).

Além do resultado primário negativo, o custo da dívida continuou pressionando as contas públicas. Os juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões em maio, ante R$ 92,1 bilhões no mesmo mês de 2025. Segundo o BC, o aumento se deu principalmente pela expansão do estoque do endividamento líquido.

Com a incorporação dos juros, o deficit nominal do setor público consolidado chegou a R$ 163,7 bilhões no mês. Em bases anualizadas, soma R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,62% do PIB.

A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral), que reúne os débitos do Governo Federal, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e dos governos estaduais e municipais, alcançou 81,1% do PIB, o equivalente a R$ 10,6 trilhões. O indicador subiu 0,9 ponto percentual em relação a abril, impulsionado principalmente pelos juros nominais e pelas emissões líquidas de títulos.

a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu 67,9% do PIB (R$ 8,9 trilhões). A alta foi explicada pelos juros nominais (0,8 ponto percentual) e pelo deficit primário (0,4 ponto percentual). O crescimento do PIB nominal (-0,4 ponto percentual) e a desvalorização cambial de 1,4% (-0,1 ponto percentual) amorteceram parte desse avanço.

Segundo as simulações do BC, uma redução de 1 ponto percentual na Selic, mantida por 12 meses, reduziria a dívida líquida em R$ 65 bilhões e a dívida bruta em R$ 59,3 bilhões. Além disso, uma desvalorização de 1% do real frente ao dólar diminuiria a dívida líquida em R$ 8,8 bilhões, mas aumentaria a dívida bruta em R$ 9,8 bilhões.


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