Empresa solicita apuração de possível concorrência desleal com uso de subsídios chinês e preços abaixo do custo
O iFood protocolou uma petição no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, nesta 2ª feira (29.jun.2026), em que pede a investigação sobre a atuação da 99Food e da Keeta no mercado brasileiro de delivery. A empresa diz que as plataformas chinesas se valem de capacidade financeira para operar no prejuízo e conquistar participação de mercado com descontos subsidiados. Eis a íntegra do documento (PDF – 548 kB).
O documento afirma que a DiDi, controladora da 99Food, e a Meituan, responsável pela Keeta, têm acesso facilitado a capital barato em razão de políticas do governo chinês voltadas à expansão internacional de empresas do setor de tecnologia.
O iFood pede que o Cade solicite informações sobre custos e preços praticados pelas duas plataformas no Brasil para verificar se há indícios de concorrência desleal.
Na petição, o iFood cita relatório do banco australiano Macquarie para embasar a alegação. O documento diz que os investimentos da DiDi no Brasil foram o principal fator de um prejuízo de US$ 470 milhões registrado pela companhia no último trimestre de 2025. A Meituan, por sua vez, acumulou perdas de US$ 3,4 bilhões ao longo de 2025, segundo os dados listados na petição.
O iFood diz que esses números servem como evidência de uma estratégia deliberada de aceitar prejuízos no curto prazo para ganhar clientes e ampliar presença nos mercados em que atua. A empresa também aponta políticas industriais chinesas, como a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) e a Digital Silk Road Initiative, como mecanismos que viabilizariam o financiamento dessa expansão.
OUTROS LADOS
A Keeta afirmou que atua para construir um mercado de delivery “aberto, justo e competitivo” no Brasil e disse ainda que decisões regulatórias deveriam ampliar a concorrência e a inovação no delivery.
O Poder360 procurou a assessoria da 99Food para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das afirmações. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Eis a íntegra da nota da Keeta:
“A Keeta trabalha para construir um mercado aberto, justo, competitivo e saudável para todos no ecossistema de delivery de comida no Brasil. Como uma marca que chegou recentemente ao país, em um setor fechado por cláusulas de exclusividade e banimento, usamos cupons para incentivar a experimentação inicial, mas nosso foco está em garantir que os consumidores permaneçam pela qualidade, previsibilidade e experiência na plataforma. Enquanto isso, a indústria de delivery de comida brasileira vem sendo prejudicada há anos por cláusulas de exclusividade que impedem o crescimento do setor. Mais uma vez, o player dominante, que já possui denúncias de descumprimento do seu acordo com o Cade, tenta manter sua posição monopolista e desviar a atenção do real problema: o mercado de delivery de comida no Brasil é anticompetitivo e disfuncional. Como resultado, os restaurantes são impedidos de escolher livremente sua plataforma parceira para diversificar seus canais de venda, entregadores têm menos alternativas para geração de renda e consumidores pagam mais caro por um serviço de baixa qualidade. O setor necessita urgentemente de decisões que promovam um mercado aberto em benefício de todo o ecossistema, viabilizando o crescimento sustentável e a inovação. A Keeta confia que as autoridades irão agir para garantir essas condições, criando mais oportunidades de renda para restaurantes e entregadores parceiros, preservando a liberdade de escolha dos consumidores e acelerando a inovação”.



