Bolívia reabre rodovias bloqueadas em prostestos contra o governo

Administradora de rodovias remove obstruções em estradas de Cochabamba, La Paz, Potosí e Santa Cruz; 13 pontos ainda seguem bloqueados

A ABC (Administradora Boliviana de Carreteras) mobilizou equipes em todo o país na madrugada de sábado (20.jun.2026) para reabrir estradas que estavam bloqueadas há mais de 1 mês em ao menos 5 departamentos bolivianos —divisões político-administrativas que equivalem aos Estados no Brasil.

Segundo informações divulgadas pela ABC, a intervenção restabeleceu a circulação em rodovias consideradas estratégicas nos vales centrais e no oeste andino do país. A ação envolveu equipes civis e empresas contratadas pela estatal. 

A liberação das vias vem depois da aprovação do estado de exceção, decretado pelo presidente Rodrigo Paz no sábado (20.jun) e aprovado pela Assembleia Legislativa da Bolívia, com ampla maioria, na madrugada deste domingo (21.jun). A medida vale por 90 dias e permite que o governo mobilize as Forças Armadas bolivianas para desbloquear estradas, travadas por manifestantes contrários ao governo.

Na região do Altiplano –no oeste do país–, onde fica localizada a capital La Paz, as equipes realizaram trabalhos de remoção de escombros que cobriam pontos críticos das vias urbanas e da rodovia La Paz-Oruro, que é a principal via de transporte no topo do país.

Já no departamento Potosí –ao sul–, a ABC garantiu a transitabilidade completa no trecho Potosí-Ventilla-Challapata-Condo K, rota crucial para o comércio interno.

No leste, no departamento de Santa Cruz a estrada que liga a região ao departamento do Beni –localizado na Amazônia boliviana, ao norte– foi liberada depois de um acordo de 19 pontos com a Federação de San Julián Norte, firmado em mesa de diálogo interinstitucional com participação de Farfán. Essa liberação restabelece o fluxo de produtos agrícolas e carne entre o norte e o polo industrial.

Em Cochabamba, no centro da Bolívia, e funciona como centro de distribuição do país, as equipes abriram a chamada “estrada antiga” em direção a Santa Cruz e a via de conexão com o departamento de Chuquisaca –ao sul, além de habilitar o trecho de Bombeo no sentido ao oeste andino, reabrindo os caminhos para as montanhas.

Bloqueios que persistem

Apesar dos avanços, pontos de conflito social ainda interrompem a RVF (Rede Viária Fundamental) em 13 trechos de 4 departamentos diferentes. Em Cochabamba, a rodovia nova para Santa Cruz permanece bloqueada em setores como Puente Ichilo, Puente Ñ, Puente Vinchuta, Puente Sacta e Ichoa, com obstruções também nas vias para Columi e Paracti. 

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Reprodução/Sistema de Transitabilidad – 21.jun.2026

Mapa de bloqueios atuais na Bolívia depois de operação para liberar vias; 13 pontos ainda seguem bloqueados

Em La Paz, os acessos a Taraco e Guaqui continuam fechados. Enquanto em Oruro, as conexões interdepartamentais com Cochabamba e La Paz seguem interrompidas nos trechos de Japo Kasa, Lequepalca e Patacamaya. Em Santa Cruz, há afetação na zona de Ascensión de Guarayos em direção a Cerro Grande.

Os bloqueios

A Bolívia enfrenta uma crise política e econômica. Os atos começaram com cortes no subsídio de combustível fornecido pelo governo e escalou para manifestações em massa depois da promulgação de uma lei sobre terras.

Manifestantes realizaram o bloqueio de vias como protesto. Os bloqueios causaram desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos em várias cidades do país. A ABC registrou 81 bloqueios em localidades como La Paz, Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca em 5.jun.2026.

O Brasil enviou ajuda humanitária à Bolívia, depois de um telefonema com o presidente. Um avião cargueiro KC-390 da FAB (Força Aérea Brasileira) transportou 21 toneladas de alimentos ao país. 


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