Memorando detalha mais obrigações aos EUA do que ao país persa no fim do conflito no Oriente Médio
O presidente Donald Trump (Partido Republicano) se esforça para convencer que saiu vitorioso da guerra contra o Irã. Em declaração na 5ª feira (17.jun.2026), o norte-americano afirmou que os Estados Unidos teriam encerrado o conflito em posição de superioridade militar. Ele sustentou que o país persa teria sido derrotado no confronto e que sua gestão teria conduzido o desfecho da guerra em termos favoráveis a Washington.
“Aqui eles (Irã) perderam militarmente, ok? É muito difícil porque eu sei que, não importa o que aconteça, se eu tivesse ido mais três ou quatro semanas, as mesmas pessoas que criticam diriam que eu fui longe demais, que eu deveria ter feito diferente”, afirmou Trump ao responder questionamento sobre como iria “convencer” o público “cético” que o EUA venceu o Irã.
Apesar disso, em memorando assinado pelos líderes dos 2 países publicado pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, nesta 5ª feira (18.jun.2026) mostra que o país persa tem menos obrigações que o governo norte-americano. Leia a íntegra do documento, em inglês (PDF – 374 kB)
Para o Irã, o documento coloca como obrigação ao país a reabertura do estreito de Ormuz para navegação comercial –o que já ocorria antes do conflito– e sem cobrança por 60 dias, sendo que depois um pedágio poderá ser cobrado em comum acordo com países vizinhos. Também são estabelecidas restrições ao programa nuclear, incluindo a proibição de desenvolvimento de armas nucleares.
O documento deixa em aberto a definição do destino do material enriquecido do Irã, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, e mantém negociações sobre o enriquecimento de urânio para o acordo final.
Já os Estados Unidos vão precisar encerrar o bloqueio naval ao Irã em até 30 dias, liberar exportações de petróleo e serviços iranianos por meio de autorizações temporárias, remover sanções e desbloquear ativos conforme cronograma do acordo, além de participar e organizar um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões.
LEIA AS OBRIGAÇÕES DE CADA UM:
Obrigações do Irã
- Reabrir o estreito de Ormuz para navegação comercial (sem cobrança por 60 dias), com remoção de obstáculos técnicos e militares e desminagem em até 30 dias, e negociar a administração futura do estreito com Omã e demais países litorâneos do Golfo Pérsico (parágrafo 5 do documento);
- Não desenvolver armas nucleares, manter o programa nuclear no estado atual até o acordo final, definir solução para o material enriquecido estocado sob supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e negociar o tema do enriquecimento no âmbito do acordo final (parágrafos 8 e 9);
- Participar do cessar-fogo permanente e não iniciar novas operações militares contra os EUA e seus aliado (parágrafo 1).
Obrigações dos EUA:
- Iniciar imediatamente a remoção do bloqueio naval ao Irã, concluindo-a em até 30 dias, restabelecendo o tráfego de embarcações proporcionalmente aos níveis pré-guerra (parágrafo 4);
- Emitir imediatamente autorizações temporárias para exportação de petróleo bruto iraniano, derivados e serviços associados (transações bancárias, seguros, transporte etc.), até a remoção formal das sanções (parágrafo 10);
- Remover todas as sanções contra o Irã (ONU, AIEA, unilaterais primárias e secundárias) conforme cronograma a ser definido no acordo final e liberar os ativos congelados para uso irrestrito pelo Banco Central iraniano (parágrafos 7 e 11);
- Desenvolver, com parceiros regionais, um plano de reconstrução e desenvolvimento do Irã de pelo menos US$ 300 bilhões, a ser finalizado em até 60 dias (parágrafo 6);
- Não enviar forças adicionais para a região e retirar as forças norte-americanas da proximidade do Irã depois da assinatura do acordo final (parágrafo 4);
- Participar do cessar-fogo permanente, não iniciar novas operações militares contra o Irã e integrar o mecanismo conjunto de supervisão da implementação do acordo (parágrafos 1 e 12).
Obrigações mútuas:
- Fim imediato e permanente das hostilidades em todos os fronts, incluindo o Líbano (parágrafo 1);
- Compromisso de não ameaçar nem usar a força um contra o outro (parágrafo 1);
- Respeito à soberania e integridade territorial de cada parte, incluindo o Líbano (parágrafo 2);
- Não interferência nos assuntos internos um do outro (parágrafo 2);
- Negociação de um acordo final em até 60 dias (prorrogáveis com consentimento) (parágrafo 3);
- O acordo final endossado por uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU (parágrafo 14).




