Segundo reportagem, o congressista solicitou o valor para a empresa da irmã da mulher para a compra de um terreno em João Pessoa (PB)
A Polícia Federal achou mensagens entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre um empréstimo, segundo o jornalista Aguirre Talento, do Estadão.
Conforme a reportagem, as conversas foram localizadas no celular de Vorcaro e tratam de uma operação de crédito realizada em março de 2024. Os diálogos se referem a um financiamento de pelo menos R$ 22 milhões para a empresa de Bianca Medeiros, irmã de Luana Motta, mulher do deputado.
A operação consta em documentação da empresa na Junta Comercial da Paraíba. Os recursos foram destinados à compra de um terreno em João Pessoa (PB), onde está planejada a construção de um novo bairro. O jornal Folha de S.Paulo revelou inicialmente a operação de crédito.
Relatórios internos da PF sobre a relação entre o congressista e o banqueiro estão sendo analisados pelos investigadores da operação Compliance Zero. A PF avalia a presença de indícios criminais para decidir se há necessidade de aprofundar as investigações sobre o presidente da Câmara.
Um dos aspectos sob análise é a possível relação entre o financiamento do Master e uma emenda de autoria de Motta. A emenda obrigaria seguradoras e instituições financeiras a destinar recursos para créditos de carbono. A medida beneficiaria os negócios da família de Vorcaro.
OUTRO LADO
Hugo Motta foi questionado sobre o caso em entrevista ao Estadão nesta 4ª feira (17.jun). Segundo o jornal, o congressista se recusou, por 5 vezes, a responder se atuou para a liberação do empréstimo. Limitou-se a dizer que a operação “está dentro da legalidade” e que a empresa está cumprindo o pagamento das prestações.
O Poder360 procurou a assessoria de Hugo Motta para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito de sua relação com Daniel Vorcaro. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
O Poder360 tentou entrar em contato com Bianca Medeiros, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato com ela e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
COMPLIANCE ZERO
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele entregou uma proposta de delação premiada, cuja análise por parte do ministro do Supremo deve levar semanas.
Eis as fases da operação:
- 1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;
- 2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;
- 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação;
- 4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;
- 5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;
- 8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.




