1ª reunião do Fed com Kevin Warsh na presidência retira forward guidance, mantém juro e destaca emprego, inflação e Oriente Médio
O FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) do Fed (Federal Reserve, a autoridade monetária norte-americana) anunciou nesta 4ª feira (17.jun.2026) a decisão de manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo de 3,50% a 3,75%. A medida foi aprovada por votação unânime.
Em comunicado oficial, afirmou que a atividade econômica continua a se expandir em um “ritmo sólido”, sustentada pelo crescimento da produtividade e dos investimentos. Ainda assim, o comitê alertou para um cenário de “incerteza elevada”, associado em parte ao conflito em curso no Oriente Médio, que tem afetado as perspectivas globais de energia e comércio. Eis a íntegra (PDF – 159 kB, em inglês).
O comunicado reforça ainda que as diretrizes operacionais atuais —incluindo a manutenção da taxa no intervalo definido— devem ser executadas “até que recebam instruções em contrário”, indicando continuidade sem mudanças iminentes.
Além da taxa de referência, o Conselho de Governadores manteve inalteradas as demais taxas administradas:
- a taxa de juros sobre saldos de reserva foi mantida em 3,65%, com efeito a partir de 18 de junho;
- a taxa de crédito primário permaneceu em 3,75%.
Apesar da manutenção dos juros, o banco central dos EUA reiterou que a inflação segue acima da meta de 2%. O comunicado destaca que choques de oferta, especialmente no setor de energia, continuam pressionando preços em segmentos específicos da economia.
“O comitê reafirmou seu compromisso com a estabilidade de preços e o máximo emprego”, diz o texto.
No mercado de trabalho, o cenário segue estável. O Fed observou que a criação de vagas tem acompanhado o crescimento da força de trabalho, com pouca variação na taxa de desemprego, sugerindo um mercado ainda resiliente.
O Fed também reiterou a continuidade da política de manutenção de reservas amplas no sistema bancário, reinvestindo títulos que vencem em seu balanço para sustentar a liquidez.
“Forward guidance” e mudança na comunicação
O chamado forward guidance —Sinalização explícita sobre os próximos passos da política monetária— não aparece no comunicado. Na prática, trata-se da orientação futura que bancos centrais costumam oferecer ao mercado para indicar a direção provável dos juros ou o momento de possíveis ajustes. A ausência desse tipo de indicação reduz a previsibilidade imediata da política monetária e tende a aumentar a dependência dos investidores de dados econômicos futuros, como inflação e emprego, para precificar expectativas.
A mudança de abordagem se dá na 1ª reunião sob a presidência de Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), à frente do Fed e do FOMC. Warsh é crítico de modelos mais explícitos de forward guidance e defende uma comunicação mais restrita, com menor compromisso verbal sobre trajetórias futuras de juros. Segundo ele, sinalizações detalhadas podem limitar a flexibilidade da autoridade monetária e causar distorções nas expectativas do mercado.
Sua posição marca, portanto, uma inflexão na estratégia de comunicação do banco central já nesta estreia à frente do Comitê.
Super 4ª
A “Super 4ª” se dá quando o Fed, nos Estados Unidos, e o Banco Central do Brasil divulgam suas decisões de política monetária no mesmo dia. Neste 17 de junho, ambos os bancos centrais anunciam suas taxas de juros, o que tende a provocar forte reação nos mercados financeiros globais.
O evento é considerado relevante porque as decisões influenciam diretamente o custo do crédito, o fluxo de capitais internacionais e as expectativas sobre inflação e atividade econômica. Mudanças ou manutenções nas taxas podem impactar bolsas de valores, moedas e preços de ativos em diversos países, incluindo economias emergentes como o Brasil.
Nesse contexto, a decisão da autoridade monetária brasileira ganha mais peso, já que precisa levar em conta esse movimento global para definir a taxa Selic. Se o diferencial de juros entre Brasil e EUA diminui, o país pode perder atratividade para investidores estrangeiros; se aumenta, tende a atrair mais capital, influenciando o câmbio, a inflação e as condições de crédito.




