Quando “Toy Story” foi lançado, assim como sua primeira sequência, essa editora que aqui escreve nem ao menos era nascida. Ainda assim, o mundo Pixar sempre foi presente durante minha infância, assim como o incentivo de ter tantos brinquedos por perto. O tempo passou, as telas chegaram, e arrisco dizer que minha geração pode ter sido uma das últimas a crescer com os dois lados da moeda. Ver “Toy Story 5” na tela grande foi como abraçar os sentimentos de saudade, curiosidade e até mesmo tédio que vieram com todas as mudanças que essa troca de “brinquedos” gerou.
Enquanto Jessie tentava provar que Bonnie precisava achar amigos que gostassem dela do jeito que a pequena era, a criança ficava vidrada na tela brilhante e cheia de possibilidades, que a fazia perder a noção do tempo. Aos poucos, o tempo passava mais rápido, os brinquedos ficavam de lado, e, como telespectadora, mesmo não sendo mais nenhuma criança, foi impactante assistir como o retrato se assemelha ao nosso dia a dia: seguimos em telas, em redes, com poucas conexões, até que o dia vira noite, que vira dia, que se repete.
Veja as fotos

Teaser de “Toy Story 5”Reprodução: YouTube/Pixar

Cena de Toy Story 5Reprodução / Pixar

Cena do filme “Toy Story” (1995)Reprodução/Disney/Pixar
Até que… Que jogo é esse? Chato, será que tem outro? Ai, não quero mais brincar com esse brinquedo, será que tem algo mais interessante no tablet? Aqui também não.
Pois é, a amada vaqueira da turma de “Toy Story” não quer deixar Bonnie entrar nesse limbo, mas acaba enfrentando um grande desafio ao se deparar com seu próprio passado, acabando na casa onde foi abandonada pela primeira criança, Emilly. Todo esse protagonismo da xerife era mais que necessário após Woody deixar a turma para viver com Betty no último filme – não que ele não tenha seu momento de brilhantismo neste novo lançamento -.
Ainda assim, o filme mostra que mesmo dando tudo de si com as melhores intenções, a ruiva erra por sua culpa, assim como falha com seus planos: porque as decisões dos outros dependem deles mesmos; esse é mais um momento que a princípio passa despercebido, mas que depois deixa o telespectador pensando.
Do outro lado, Bonnie se divide entre tentar se mostrar atualizada para ter amigas, enquanto finge ser alguém que não é para ser aceita, apesar de ter apenas 8 aninhos. Essa briga interna também acende um alerta para quem tem crianças em casa e vê essa fase de transformações tão de perto, mostrando como é importante ouvir os pequenos e entender os gostos deles.
Mas isso tudo acontece sem pesar o clima, xô! Ao encarar os desafios, Jessie e toda a turma encantam com tiradas rápidas e novos personagens que não deixam o telespectador sem rir. Do começo ao fim, a sessão é tomada por gargalhadas de adultos, de crianças (e com certeza dos brinquedos levados por elas).
O filme tem espaço até mesmo para a retomada das tão divertidas briguinhas entre Buzz (ou seriam Buzz’s?) e Woody, mas, o que levou o cinema a aplaudir quase de pé foi um momento bem romântico e mais que esperado entre a vaqueira e o patrulheiro espacial… Mas sem spoilers, ok?
No fim, ainda há espaço para mais uma surpresa completamente inesperada, para molhar (mais) os olhos de quem já tinha se emocionado, representando um momento de círculo completo para Jessie, alinhando seu passado ao seu presente, seguindo com Bonnie e toda uma nova turma de amigos.
Eu sei, “Toy Story” é um filme infantil. Mas será mesmo que nossa criança interior está tão distante de quem somos atualmente? Afinal, quantos clássicos que nos fizeram sonhar, brincar e imaginar – como esta saga da Pixar – ganharam novas edições, relançamentos e versões recentemente? Podemos citar “Sexta-feira muito louca”, “O Diabo Veste Prada”, “Percy Jackson”, “Toy Story”, entre tantos outros. Acho que, assim como Bonnie, isso não signfica que não queremos crescer; ou como Jessie, não queremos deixar para trás algo que é importante para nós: queremos seguir em frente, mas com o equilíbrio de não esquecer quem fomos no passado e ainda somos no presente.
Nota: 10/10




