Paquistão sugeriu formalização no domingo (14.jun). Documento encerra guerra de fevereiro e suspende sanções a Teerã
O Irã afirmou neste sábado (13.jun.2026) que poderá assinar nos próximos dias um acordo preliminar de paz com os EUA para encerrar a guerra iniciada em fevereiro, mas descartou a possibilidade de que o documento seja formalizado nas próximas 24 horas, como sugeriu o governo do Paquistão, mediador das negociações. As informações foram divulgadas pela Reuters.
Na 6ª feira (12.jun), autoridades de Washington e Teerã indicaram que um entendimento está próximo. Um integrante do governo norte-americano disse à Reuters que os dois países já concordaram com o texto-base do acordo e que os EUA esperam concluir a assinatura inicial nos próximos dias.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou neste sábado que as partes chegaram a uma estrutura para um acordo de paz e que Islamabad se prepara para uma assinatura eletrônica do documento, seguida por reuniões técnicas na próxima semana. Sharif chegou a afirmar que o entendimento poderia ser formalizado já no domingo (14.jun).
A avaliação, porém, foi minimizada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei. Segundo ele, ainda não há uma data definida para a assinatura do memorando de entendimento.
“Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando, embora não seja amanhã”, afirmou Baghaei à mídia estatal iraniana. O porta-voz acrescentou que a conclusão do acordo nos próximos dias não está descartada, mas disse ser necessário cautela diante da “hesitação da outra parte”.
Apesar das divergências sobre o cronograma, Sharif afirmou em publicação na rede social X que os dois países estão “mais próximos de um acordo de paz do que nunca”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), republicou a mensagem, mas não comentou publicamente o avanço das negociações.


A guerra começou em 28 de fevereiro, depois de ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra alvos militares norte-americanos no Golfo Pérsico, enquanto o Hezbollah ampliou ataques contra Israel a partir do Líbano.
O conflito deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e provocou impactos no mercado global de energia. Durante a guerra, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, enquanto os EUA impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos.
O QUE DIZ O ACORDO
Segundo fontes envolvidas nas negociações ouvidas pela Reuters, o memorando em discussão estabelece a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos do Irã.
Em troca, os Estados Unidos começariam a liberar bilhões de dólares em ativos iranianos congelados e suspenderiam sanções que restringem as exportações de petróleo do país.
A questão nuclear, principal justificativa apresentada por Trump para iniciar a guerra, seria discutida em uma etapa posterior. O plano prevê um período de 60 dias de negociações para definir o futuro do programa nuclear iraniano.
Um integrante do governo norte-americano afirmou que o acordo atende aos principais objetivos da Casa Branca e coloca as negociações em uma posição “muito favorável”. Segundo ele, o entendimento levaria, em última instância, ao desmantelamento do programa nuclear iraniano e à eliminação de seus estoques de urânio altamente enriquecido.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, indicou, porém, que Teerã não aceita abrir mão integralmente de seu programa nuclear. Segundo ele, o país defende a manutenção do urânio em forma diluída e considera que saiu fortalecido do conflito.
Depois das declarações de Araqchi, forças norte-americanas interceptaram drones iranianos que seguiam em direção ao Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA confirmou a operação e informou que a rota marítima permaneceu aberta ao tráfego comercial.
RESISTÊNCIA DE ISRAEL
Israel não participa das negociações e já sinalizou oposição a alguns dos termos em discussão.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país não fará parte do memorando. A posição expõe divergências entre o governo israelense e a Casa Branca, especialmente em relação às exigências dos EUA para reduzir as operações militares no Líbano.
Araqchi afirmou que o acordo poderá encerrar os confrontos no território libanês, sugerindo uma retirada israelense das áreas ocupadas. A declaração foi rejeitada pelo ministro da Defesa de Israel, que afirmou que o país manterá suas posições de segurança. Um alto funcionário israelense acrescentou que o governo pretende preservar sua liberdade de ação contra eventuais ameaças na região.




