Lula diz que empresários “aprenderam” a respeitar acordos ambientais

Presidente sugeriu, em evento no Planalto, que setor “paga mais caro” desrespeitando as regras mínimas de preservação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta 4ª feira (10.jun.2026), que os empresários brasileiros passaram a compreender a importância de respeitar regras ambientais para manter a competitividade de seus produtos no mercado. A declaração foi dada durante cerimônia no Palácio do Planalto, celebrando o Dia Mundial do Meio Ambiente, em que o governo anunciou um pacote de medidas voltadas à preservação ambiental e à recuperação de biomas.

Segundo Lula, houve uma “evolução” do setor produtivo em relação à pauta ambiental. O presidente disse que as empresas entenderam que o descumprimento de normas de preservação pode gerar prejuízos econômicos e dificultar a comercialização de seus produtos.

“Os empresários sabem que hoje pagarão um preço muito caro se não respeitarem regras mínimas de defesa da questão ambiental. Eles produzem, eles têm que vender. E precisam ter selo de qualidade para poder vender seus produtos”, declarou.

O petista afirmou ainda que parte do empresariado deixou de adotar práticas “destruidoras” e passou a incorporar preocupações ambientais aos negócios. “Eles evoluíram para aprender a ser capitalistas civilizados e não capitalistas destruidores da nossa floresta”, disse.

Durante o evento, Lula também afirmou que o Brasil recuperou credibilidade internacional na área ambiental. Segundo ele, o país voltou a ser reconhecido por ações de combate ao desmatamento e de preservação dos recursos naturais.

“Hoje é mais do que comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente. Eu acho que hoje é o dia da afirmação de que o Brasil passa a ser o país com mais credibilidade no mundo de cuidar da questão ambiental. Nós sempre fomos tratados como se fôssemos ninguém. Muita gente deu muito palpite sobre a gente, muitas vezes sem acreditar naquilo que a gente dizia que ia fazer neste país”, afirmou o petista. 

O presidente atribuiu esse avanço à atuação de ambientalistas, de órgãos de fiscalização e de integrantes do governo. Também elogiou o trabalho da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e defendeu a busca por consensos dentro da administração federal para viabilizar políticas ambientais.

ACORDOS AMBIENTAIS 

Depois das declarações sobre a relação entre preservação ambiental e atividade econômica, o governo anunciou um conjunto de medidas voltadas à conservação dos biomas brasileiros, ao combate às mudanças climáticas e ao incentivo ao desenvolvimento sustentável. 

Ao lado do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o presidente sancionou 2 projetos de lei e assinou 6 decretos relacionados à recuperação ambiental, ao fortalecimento de áreas protegidas e à ampliação de mecanismos de financiamento para a agenda climática.

Entre as principais iniciativas está a sanção da lei que cria a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga e institui o Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. 

A medida busca estimular a recuperação de áreas degradadas, ampliar a produção sustentável de alimentos, garantir a segurança hídrica e incentivar atividades ligadas à bioeconomia no único bioma exclusivamente brasileiro.

O governo também anunciou R$ 834 milhões em financiamentos do Fundo Clima para projetos de restauração da vegetação nativa, além da formalização da doação de R$ 270 milhões do Reino Unido ao Fundo Amazônia. 

Outros R$ 370 milhões foram destinados ao programa ARPA Comunidades, voltado ao fortalecimento das cadeias da sociobioeconomia em comunidades tradicionais da Amazônia.


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