Ação investiga possível caso de lavagem de dinheiro e corrupção; mandados da operação Gemini foram cumpridos nesta 2ª feira
A Polícia Federal deflagrou nesta 2ª feira (8.jun.2026) a operação Gemini, tendo como alvo um desembargador e um deputado estadual de Mato Grosso suspeitos de venda de sentenças e lavagem de dinheiro.
Durante a manhã, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao desembargador Dirceu dos Santos, do TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso), e ao deputado estadual Faissal Calil (PL-MT), além do advogado Bruno Castro.
De acordo com a PF, eles são investigados pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Ambos também tiveram quebrados os sigilos bancário, fiscal e telemático.
POSICIONAMENTOS
À imprensa local, que se aglomerou em frente à sua residência, o deputado Faissal Calil declarou ter entregado seu celular e senha para a PF . Ele negou qualquer envolvimento com o esquema de venda de sentenças.
Ex-servidor da Justiça mato-grossense, tendo trabalhado no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos, o parlamentar negou manter contato com o magistrado.
“Desde que virei deputado, que saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato”, afirmou aos jornalistas.
Ao g1, o advogado Bruno Castro, apontado como intermediário, disse que se apresentou de forma espontânea para prestar esclarecimentos perante o Conselho Nacional de Justiça e a Procuradoria Geral da República. “No que se refere aos contatos a mim atribuídos, faz-se necessário esclarecer que estão descontextualizados e não correspondem à realidade dos fatos. Jamais solicitei, intermediei ou realizei qualquer tratativa ilícita”, afirmou.
O Poder360 procurou o advogado por meio de telefone e de mensagem para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito a operação. Foram realizadas duas ligações telefônicas e enviada uma mensagem texto por WhatsApp em 8 de junho de 2026 às 20h. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
O TJ-MT informou ao Poder que nenhum mandado foi cumprido na sede do Poder Judiciário e que o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça. Disse, ainda, que “continua à disposição para contribuir com as autoridades, caso seja solicitado“.
AFASTAMENTO PELO CNJ
Dirceu dos Santos já tem contra ele um processo no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que o afastou das funções no início de março, durante a apuração de movimentações financeiras acima do compatível com o salário de juiz.
De acordo com quebras de sigilo bancário e fiscal já promovidas pelo CNJ, o magistrado movimentou nos últimos 5 anos mais de R$ 14,6 milhões. No mesmo período, ele teve rendimentos oficiais de R$ 1,9 milhão.
Segundo o órgão de controle da Justiça, “foram identificados indícios de que o magistrado requerido proferiu decisões mediante o possível recebimento de vantagens indevidas, realizando a intermediação de atos decisórios por intermédio de terceiros, empresários e advogados”.
O afastamento cautelar do desembargador não tem prazo determinado e deve perdurar ao menos até o fim das investigações.
O Poder tentou entrar em contato com a defesa do desembargador Dirceu dos Santos para falar sobre a operação, mas não teve sucesso na busca de um telefone ou e-mail válidos até a publicação desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando estabelecer contato. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 8 de junho de 2026, às 12h31. O conteúdo, livre para republicação, citada a fonte, foi adaptado para o padrão do Poder360 e recebeu informações complementares.




