Ofício enviado a Ricardo Couto cita suspeitas de irregularidades em contratos estaduais e possível deficit de R$ 20 bilhões
O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, enviou um ofício ao governador interino Ricardo Couto solicitando documentos e esclarecimentos sobre suspeitas de irregularidades na administração estadual. O pedido foi feito na 4ª feira (20.mai.2026), depois da exoneração de 2.500 servidores comissionados desde 23 de março, quando o então governador Cláudio Castro (PL) renunciou.
O documento cita auditorias em 6.700 contratos públicos estaduais, que somam R$ 81 bilhões, conduzidas pela CGE (Controladoria Geral do Estado). Há suspeitas de irregularidades em contratações diretas.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também mencionou um rombo estimado em R$ 20 bilhões na Secretaria de Estado de Fazenda. Segundo o órgão, há indícios de má gestão, contratações irregulares, desvio de finalidade de recursos públicos e deficits fiscais.
O documento também trata das exonerações de servidores suspeitos de serem funcionários fantasmas, do loteamento político de secretarias e autarquias e da revisão de processos administrativos classificados como sigilosos. O MP-RJ questiona a legitimidade de sigilos que possam encobrir irregularidades.
As investigações envolvendo o RioPrevidência, a Cedae e o Grupo Refit também foram mencionadas. O texto cita ainda apurações relacionadas às operações Sem Refino e Barco de Papel.
Entre os documentos solicitados pelo Ministério Público estão:
- relação de servidores exonerados desde março de 2026;
- relatórios da CGE sobre auditorias em contratos;
- informações sobre contratos suspensos ou rescindidos;
- lista de processos administrativos que tiveram revisão de sigilo;
- documentos sobre investigações envolvendo RioPrevidência, Cedae e Secretaria de Fazenda;
- identificação de agentes públicos citados em relatórios da Polícia Federal;
- providências administrativas adotadas pelo governo.
O procurador-geral afirmou que, até o momento, o MP-RJ não recebeu documentação técnica sobre auditorias internas, medidas cautelares, indícios de dano ao erário ou identificação de responsáveis pelas supostas irregularidades.
O governo interino anunciou ainda uma recomposição salarial que beneficia mais de 400 mil servidores estaduais.



