Roberta Luchsinger confirmou ter trabalhado com Careca do INSS, mas nega ter repassado valores ao filho do presidente Lula
A empresária Roberta Luchsinger apresentou, nesta 4ª feira (20.mai.2026), depoimento à Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre as fraudes bilionárias nos descontos associativos do INSS. Ela nega ter repassado valores para Fábio Luís Inácio Lula da Silva, o Lulinha; mas confirmou que apresentou uma consultoria ao empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, sobre a regulação do mercado de câmbio no Brasil.
Os investigadores apuram se Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve Luchsinger como intermediária para receber valores do Careca do INSS, que está preso desde setembro de 2025.
Para os investigadores, Luchsinger esclareceu que é amiga de muitos aliados de Lulinha e de sua mulher, mas negou que o filho do presidente tenha recebido dinheiro do Careca do INSS. Ela confirmou que soube da viagem de Lulinha com o Careca do INSS para Portugal, mas que se tratava de um encontro de negócios para sondagem de investimentos na exploração de produtos à base de cannabis.
Segundo ela, Lulinha viajou por “curiosidades relativas aos assuntos”, uma vez que familiares utilizam medicamentos à base de cannabis. Luchsinger disse que tinha conhecimento apenas que o Careca do INSS atuava no ramo farmacêutico e que quando o conheceu ele não era alvo de investigação sobre fraudes nos descontos. Ela também declarou que, com as informações da operação Sem Desconto, deixou de prestar serviços ao empresário.
Luchsinger conta que apresentou o Careca do INSS a Lulinha durante um “contexto social” e que, depois das primeiras operações da PF, teve receio que a conexão fosse explorada politicamente. Em nota, os seus advogados disseram que ela é “alvo de verdadeira campanha difamatória”.
“Sua trajetória foi eclipsada de maneira bastante misógina e preconceituosa, sendo reportada como herdeira, amiga, sócia, representante, socialite ou ainda, mais comum, e de maneira pejorativa, como ‘lobista’. Os esclarecimentos apresentados por meio de petição e ora oferecidos presencialmente desvelam por completo a tese acusatória desenhada inicialmente e vazada seletivamente de forma sistemática. Esperamos que após o depoimento, com a conclusão das apurações, sejam as investigações arquivadas em relação a sua pessoa, ante a demonstração da absoluta existência de qualquer conduta ilícita”, declarou.
Luchsinger foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025 em uma das fases da operação Sem Desconto. A PF detectou que ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão de Antônio Camilo Antunes. Ele é suspeito de liderar o esquema de desvios.
O ministro André Mendonça, relator do inquérito das fraudes no Supremo, autorizou a quebra de sigilo das informações bancárias da empresária e de Lulinha em janeiro deste ano.
A empresária também foi alvo de quebra de sigilo fiscal pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS. No entanto, em 4 de março, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal , suspendeu a medida por falta de “fundamentação concreta”.
Os convites e algumas intimações foram enviados para Luchsinger depois que a Polícia Federal fechou a delação premiada do empresário Maurício Camisotti. Ele é apontado como centro financeiro do esquema de descontos associativos nos contracheques de aposentados e pensionistas. A delação de Camisotti foi retomada no início de maio.



