SÃO PAULO, 14 Mai (Reuters) – A Casas Bahia teve prejuízo líquido de R$1,06 bilhão no primeiro trimestre, pressionado pelo resultado financeiro, mas o desempenho operacional mostrou evolução.
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‘Nosso ‘approach’ (estratégia) para o ano é ser mais conservador na concessão de crédito, na tomada de risco, nas compras com fornecedores’, afirmou o presidente-executivo da companhia, Renato Franklin, citando o ambiente macroeconômico desafiador.
O executivo destacou que a empresa conseguiu fazer movimentos que tiraram pressão de curto prazo da companhia, que permitem à empresa não ter que vender ativos a qualquer preço e não ter que dar crédito a qualquer pessoa. ‘A demanda de crédito está alta, mas com mais risco.’
Franklin observou que no mês de abril e no começo de maio não houve um incremento de demanda em TVs no mercado como era previsto no começo do ano em razão da Copa do Mundo.
‘Nós estamos crescendo muito em TVs, mas porque o meu ‘share’ no ‘e-commerce’ era baixo, porque eu não tinha uma penetração de crédito tão grande do e-commerce ano passado quanto eu tenho hoje; e não estava presente em alguns canais que eu estou hoje…mas o mercado não está crescendo ainda’, disse.
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‘O macro está mais desafiador do que o pessoal imagina…Preferimos ser conservadores, abrir mão de oportunidades de crescimento e focar naquilo que conseguimos fazer sem apostas’, afirmou.
‘Nós vamos ter um segundo trimestre que tem sim o impulso do Dia das Mães e de Copa do Mundo, mas pé no chão, acho que sem euforia’, afirmou. Franklin destacou que para o segundo semestre há uma perspectiva de mercado de melhora no ambiente macroeconômico e citou eventos como eleições e fatores que podem ajudar a base da pirâmide social e a companhia. ‘Mas a nossa visão de curto prazo é conservadora.’
No primeiro trimestre, a receita líquida das Casas Bahia cresceu 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$7,4 bilhões, enquanto as despesas com vendas, gerais e administrativas tiveram alta de 5,4%, para 1,7 bilhão. A margem bruta da companhia ficou em 30,3%, de 30,2% um ano antes.
A receita bruta na vendas online avançou 24%, para quase R$3,3 bilhões, com expansão de 26,4% no canal próprio (1P), para R$3 bilhões. A receita bruta das lojas físicas somou quase R$5,6 bilhões, declínio de 1,8%.
JUROS PESAM
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da Casas Bahia totalizou R$597 milhões, aumento de 4,7% ano a ano, com a margem nessa linha passando de 8,2% para 8,1%.
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Mas a alta taxa de juros, refletida no aumento do CDI médio de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no período de janeiro ao final de março deste ano pressionou o resultado financeiro, que ficou negativo em R$1,2 bilhão, 27% maior do que o mesmo período do ano passado, apontou a companhia. Isso explica a piora no prejuízo, que um ano antes tinha sido de R$408 milhões.
Franklin destacou o fluxo de caixa livre da firma, de R$852 milhões, afirmando que representa um ponto de inflexão, embora o saldo final, quando incluída a parte financeira, ainda mostre um consumo de caixa de R$224 milhões, devido ao pagamento de juros e captações, apesar da melhora da rentabilidade e eficiência da operação.
A companhia também manteve sua alavancagem financeira quase estável, em 0,5 vez, de 0,4 vez no último trimestre do ano passado.
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‘Nós saímos daquela fase que tinha um risco grande, tinha uma estrutura muito alavancada e outros desafios e entramos numa fase agora onde temos que provar que somos capazes de gerar valor’, afirmou o presidente-executivo da varejista. Franklin citou como meios para obter tal resultado o aumento na escala do canal online próprio (1P), crescimento em soluções financeiras e monetização da logística, ‘que pode ser um grande diferencial da companhia no longo prazo’.




