Netanyahu quer zerar dependência militar dos EUA

Premiê de Israel diz que tensão no estreito de Ormuz não foi prevista no início da guerra contra o Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), declarou que o país pretende “zerar” gradualmente a dependência militar dos Estados Unidos e admitiu que o risco de uma escalada no estreito de Ormuz não foi plenamente antecipado no início da guerra contra o Irã.

Segundo Netanyahu, Israel recebe US$ 3,8 bilhões anuais em apoio militar norte-americano, mas o plano é encerrar a dependência financeira. “Quero reduzir a zero o apoio financeiro americano”, disse, em entrevista ao jornalista Major Garrett, da CBS News. O premiê afirmou ter comunicado a intenção ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), e declarou que deseja iniciar o processo imediatamente.

“É hora de nos desmamarmos do apoio militar restante”, afirmou. Netanyahu declarou que a mudança deverá ser implementada “nos próximos 10 anos”.

Na entrevista, a 1ª concedida por Netanyahu à TV norte-americana desde o início da guerra, o premiê também reconheceu que o impacto da tensão no estreito de Ormuz só foi compreendido ao longo do conflito. Questionado sobre uma reportagem do The New York Times segundo a qual Israel acreditava que o regime iraniano não conseguiria ameaçar a rota marítima, respondeu que “ninguém tinha previsão perfeita”.

“A questão de Ormuz foi entendida à medida que os combates avançavam”, disse. “Não reivindico previsão perfeita, e ninguém a tinha. Nem os iranianos”.

O estreito concentra parte relevante do comércio global de petróleo. Nos últimos dias, o Irã elevou a pressão na região com ameaças à navegação e ações de fiscalização marítima. O governo iraniano criou um órgão para monitorar e cobrar taxas de embarcações que cruzem a área.

Netanyahu declarou que a guerra “ainda não acabou” e disse que ainda estão pendentes a retirada de urânio enriquecido do Irã, o desmonte de instalações nucleares e a neutralização de grupos apoiados por Teerã, como o Hezbollah, o Hamas e os houthis.

Ao comentar a possibilidade de derrubada do regime iraniano, afirmou que o cenário “é possível”, mas sem garantias. “Há risco em agir, mas há risco maior em não agir”, declarou.

O premiê também disse acreditar que a guerra aproximou Israel de países árabes. Segundo ele, governos da região passaram a defender alianças mais fortes com os israelenses por considerarem o país um fator de contenção ao Irã.

Netanyahu afirmou ainda que a China forneceu componentes ligados à fabricação de mísseis iranianos, mas evitou detalhar o grau de envolvimento de Pequim. “Não gostei disso”, disse.

O premiê também comentou a deterioração da imagem de Israel no exterior e atribuiu o desgaste principalmente às redes sociais. Segundo ele, países estariam manipulando plataformas digitais contra os israelenses. Ao mesmo tempo, admitiu erros militares durante a guerra em Gaza.

“Em guerras, exércitos às vezes erram, e civis morrem. São erros, não ações deliberadas”, declarou.


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