Pré-candidato ao governo de São Paulo declarou que a proposta também favorece os patrões com empregados mais “empenhados”
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad disse nesta 6ª feira (1º.mai.2026) que o fim da jornada de trabalho com escala 6 X 1 beneficia principalmente as mulheres. Em ato pelo Dia do Trabalhador, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, o petista declarou que a medida também favorece o patrão, porque terá um empregado “mais empenhado e produtivo”.
Para Haddad, as duas derrotas recentes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional não devem atrasar o andamento da proposta que trata que reduz a jornada sem corte de salários. Ele defende que o tema é uma demanda da sociedade e deve ser votado no Legislativo.
O Congresso derrubou o veto do presidente Lula ao PL (Projeto de Lei) da Dosimetria, texto que reduz penas para crimes de golpe de Estado e abolição do Estado de Direito. Também rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Haddad disse que é preciso “separar as coisas”, porque o fim da escala 6 X 1 é um pedido dos trabalhadores.
“As principais beneficiárias são as mulheres, desta mudança, porque têm uma jornada exaustiva. E é natural, de tempos em tempos, você revê o teto da jornada. A humanidade funciona assim desde a revolução industrial”, disse Haddad em ato em São Paulo. Centrais sindicais realizam manifestações descentralizadas pelo Brasil no Dia do Trabalhador.
Haddad declarou ainda que o Brasil está há muito tempo sem discutir o assunto da jornada de trabalho. Afirmou que a sociedade amadureceu para analisar os benefícios da mudança. Segundo ele, a proposta também beneficia os empresários.
“Todo mundo sabe que isso favorece o trabalhador, mas também favorece o patrão. Vai ter um trabalhador mais produtivo, mais empenhado, mais envolvido. É bom para todo mundo”, disse o pré-candidato.
TAXA DE JUROS
Haddad voltou a criticar o patamar dos juros nesta 6ª feira (1º.mai.2026). O Banco Central cortou a taxa básica, a Selic, para 14,50% ao ano, mas o juro-base segue em patamar restritivo. A autoridade monetária optou por manter a cautela ao não sinalizar que irá prosseguir com os cortes na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em junho.
Para Haddad, não há “necessidade” de ter um juro tão alto quanto o atual no Brasil. Ele culpou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano) pelo patamar do juro-base.
“Agora nós estamos com um episódio grave que é a guerra do Trump, que está atrapalhando o mundo inteiro, mas já dava para ter caído mais o juro”, disse.
ALDO REBELO
Haddad criticou as recentes declarações do pré-candidato à Presidência Aldo Rebelo (DC) ao Diário do Grande ABC, ao dizer que a agenda do presidente Lula é de aumentar as despesas e os impostos. O ex-ministro declarou que Rebelo não comparou os indicadores de crescimento comparando o governo Lula com “o governo que ele apoiou”, em referência ao mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu lamento por ele, porque ele tinha uma trajetória interessante. E aí derrapar desse jeito, nessa idade, eu lamento. Eu tinha um apreço por ele”, afirmou Haddad.



