Lula priorizou Messias e já aceita derrota em veto da dosimetria

Planalto focou capital político na aprovação de ministro ao STF e viu estratégia naufragar; agora vai lidar com outro revés no Congresso

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu concentrar todos os seus esforços na aprovação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Na véspera da sabatina, a articulação política do Palácio do Planalto sinalizou que abriu mão da manutenção do veto ao PL (Projeto de Lei) da Dosimetria, que é votada nesta 5ª feira (30.abr.2026).

O custo para salvar o veto prejudicaria a contagem de votos necessária para o ministro da AGU na Casa Alta. Não deu certo. Por 42 votos a favor e 34 contra, Messias foi rejeitado pelo Senado –algo que não acontecia desde 1894, no governo de Floriano Peixoto.

A estratégia para Messias foi traçada pelo ministro José Guimarães (Relações Institucionais) e pelo senador Randolfe Rodrigues (PT), líder do Governo no Congresso. Com a liberação de R$ 13 bilhões em emendas acumuladas até este 28 de abril, o governo priorizou o atendimento a senadores.

A oposição já contabiliza os votos necessários para derrubar o veto de Lula ao projeto que buscava diminuir a pena de Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O governo, que antes tentava negociar, parou de oferecer contrapartidas. Agora, a expectativa é de uma derrubada rápida.

O projeto de dosimetria foi aprovado pelo Legislativo em dezembro de 2025. Lula assinou o veto em 8 de janeiro deste ano, na cerimônia que marcou os 3 anos dos ataques às sedes dos Três Poderes

Se o veto for derrubado, o projeto entrará em vigor, reduzindo as penas dos condenados pelo STF. Para Lula, o texto compromete a credibilidade da Corte, que conduziu o julgamento. 

“É problema do Congresso. Eu fiz a minha parte. O Congresso fez a dele, aprovou. Eu sei as condições em que isso foi discutido. Eu vetei porque não concordo. Esse cidadão [o ex-presidente Jair Bolsonaro] tem que ficar preso, mas um belo dia pode ter uma anistia para ele”, declarou Lula em fevereiro.

o fator Alcolumbre

A atitude de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) também pesou. O presidente do Senado indicou que a pauta da dosimetria é prioritária para o Legislativo. Para não criar atritos com Alcolumbre antes da votação de Messias, o Planalto optou por não oferecer resistência.

O presidente do Senado, por sua vez, agiu para barrar a aprovação do advogado-geral da União. Ao Poder360, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse ter sido procurado por Alcolumbre para votar contra Messias. No plenário, logo antes do placar final, o senador disse ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que o indicado de Lula perderia por 8 votos, cravando a diferença exata.

Questionada, a assessoria de Alcolumbre disse que ele apenas “deu sua opinião” a Wagner.


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