Levantamento inédito terá 11.000 colaboradores e busca orientar políticas públicas com dados nacionais padronizados
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizou na 2ª feira (27.abr.2026) o 1º lançamento regional do Censo Nacional da População em Situação de Rua, em Belém. A iniciativa marca a 1ª tentativa de produzir um levantamento estatístico nacional voltado exclusivamente a esse grupo, com o objetivo de dimensionar e caracterizar suas condições de vida em todo o país.
O evento foi realizado durante a programação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e integra uma série de apresentações regionais que ainda passarão pelo Rio de Janeiro e por São Paulo. Segundo o instituto, o censo busca suprir lacunas históricas de informação e fornecer base padronizada para orientar políticas públicas.
Presidente do IBGE, Marcio Pochmann afirmou que o levantamento representa “um marco” ao dar visibilidade a uma população que, segundo ele, esteve fora das estatísticas oficiais. “Esse censo será um marco, resgatando e dando visibilidade a um segmento que estava fora das pesquisas. E agora damos um passo importante”, declarou. Disse ainda que mais de 11.000 colaboradores atuarão em campo em todo o país.
A pesquisa pretende identificar a distribuição territorial, o perfil sociodemográfico e as condições de vida da população em situação de rua. De acordo com o IBGE, a falta de dados consolidados faz com que políticas públicas sejam baseadas em estimativas, o que limita a efetividade das ações.
Diretora do ministério, Malu Gama disse que o levantamento deve permitir maior precisão no atendimento. “Quando soubermos, de fato, quantas pessoas em situação de rua há no país, quem são […], será possível fazer políticas muito mais efetivas na ponta”, afirmou.
O IBGE informou que o levantamento será realizado com metodologia própria, adaptada à mobilidade dessa população. A unidade de pesquisa deixa de ser o domicílio e passa a considerar grupos ou indivíduos encontrados em ruas, instituições de acolhimento ou ocupações não residenciais.
Eis os principais pontos da operação:
- coleta prevista para ocorrer simultaneamente em todo o país de 3 a 7 de julho de 2028;
- data de referência fixada na virada de 2 para 3 de julho;
- entrevistas realizadas em 2 turnos (manhã e tarde/noite);
- uso de dispositivos móveis e questionários modulares;
- apoio de prefeituras, organizações sociais e instituições públicas;
- uso de dados prévios, como CadÚnico e Censo Suas, para planejamento.
O instituto informou que a abordagem dos entrevistadores seguirá princípios como respeito à dignidade, não discriminação e garantia de direitos, com mediação de pontos focais locais para facilitar o contato com os informantes.
Diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger afirmou que a produção estatística deve dialogar com a implementação de políticas públicas. “A produção estatística encontra sentido maior na materialização da política pública”, declarou.
Segundo o IBGE, esta é a 1ª experiência nacional de censo voltado à população em situação de rua e deverá passar por etapas de teste e validação antes da operação definitiva.
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