Em entrevista à “CBS News”, presidente afirma que quis ver o que estava acontecendo antes de ser escoltado por agentes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), afirmou que dificultou a atuação do Serviço Secreto durante um ataque a tiros no jantar com autoridades e jornalistas no sábado (25.abr.2026). Trump concedeu entrevista à CBS News neste domingo (26.abr.2026), 1 dia após o ataque.
Trump só foi retirado do salão depois do vice-presidente JD Vance (republicano). “Eu queria ver o que estava acontecendo e não estava facilitando para eles [o Serviço Secreto]. Eu queria ver o que estava se passando. Naquele momento, começamos a perceber que talvez fosse um problema sério, um tipo diferente de problema, grave […] Provavelmente fiz com que agissem um pouco mais devagar. Eu disse: ‘Espere um minuto, espere um minuto. Deixe-me ver. Espere um minuto’”, afirmou.
REAÇÃO DA PRIMEIRA-DAMA
O presidente também falou sobre a expressão de choque da primeira-dama, Melania Trump. Segundo ele, Melania percebeu imediatamente que a situação se tratava de um risco à segurança do evento.
“Naquele momento, acho que ela percebeu de antemão que aquilo era mais uma bala do que uma bandeja. Eu olhei para o rosto dela agora há pouco, antes de chegar. Eu vi a cena. Eles me mostraram, e, sabe, um close bem nítido. Ela parecia muito chateada com o que tinha acabado de acontecer”, afirmou.
MANIFESTO DO ATIRADOR
O atirador que tentou invadir o jantar escreveu um manifesto sobre o ataque. Apesar de não citar Trump nominalmente, ele se refere ao republicano como “pedófilo, estuprador e traidor”. Ao ser questionado sobre o texto de Cole Allen, o presidente chamou a jornalista que realizava a entrevista de “pessoa horrível”.
“Eu estava esperando você ler isso porque eu sabia que você leria, porque vocês [jornalistas] são pessoas horríveis. Sim, ele escreveu isso. Eu… eu não sou um estuprador. Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo. Com licença. Eu não sou um pedófilo. Você leu essa besteira escrita por algum doente”, respondeu.
ATAQUE AO JANTAR DE TRUMP
Leia abaixo o que se sabe até agora:
- o que houve – um homem armado furou a barreira de segurança durante um evento com Trump, o Serviço Secreto reagiu e tiros foram disparados;
- o que era o evento – o tradicional jantar com os jornalistas setoristas na Casa Branca, realizado em 25 de abril de 2026 no Washington Hilton Hotel, na capital dos EUA, com o republicano, o 1º escalão do governo Trump, profissionais da mídia e convidados;
- Trump escoltado – assim que os tiros foram ouvidos, o Serviço Secreto retirou o republicano às pressas do jantar;
- quem é o suspeito – Cole Allen tem 31 anos, é engenheiro formado pela Caltech e morava na Califórnia. Ele portava duas armas de fogo e várias facas no momento em que foi imobilizado pelo Serviço Secreto. Está sob a custódia das autoridades;
- “lobo solitário” – após o ataque, Trump falou a jornalistas e disse acreditar que Cole Allen agiu sozinho –ele também postou uma foto do homem em seu perfil nas redes sociais;
- feridos no ataque – Trump afirmou que ele, a primeira-dama Melania, o vice-presidente JD Vance e os demais integrantes do governo que estavam no jantar estão bem, mas que um agente do Serviço Secreto foi baleado. Disse ter conversado com o oficial, que está bem e vestia um colete à prova de balas.
ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS
O jantar de sábado (25.abr) entre jornalistas e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi organizado pela WHCA (“White House Correspondents Association”). A forma mais correta de traduzir o nome dessa entidade privada é “Associação dos Jornalistas que fazem a Cobertura da Casa Branca”.
A WHCA foi criada por jornalistas em 25 de fevereiro de 1914, como resposta a uma declaração do então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, que em 1913 disse que poderia acabar com a tradição de participar de entrevistas para jornalistas, pois “certos jornais vespertinos” (sem dizer quais) estariam publicando frases que ele considerava ter dado de forma reservada.
O 1º jantar anual da WHCA foi realizado em 7 de maio de 1921 no Arlington Hotel, na esquina da avenida Vermont com a rua L, em Washington. O então presidente dos EUA, Warren G. Harding, não foi ao evento. O 1º presidente norte-americano a participar do jantar foi Calvin Coolidge, em 1924.
Ao longo dos anos, o jantar se tornou uma tradição do mundo político norte-americano, na capital do país. O local muda de tempos em tempos. É sempre uma oportunidade para o presidente do país falar de maneira mais descontraída, ouvir e contar piadas.
Essas oportunidades são vistas como uma celebração da liberdade de expressão, um dos direitos mais populares no país e consagrado em 1791 pela 1ª emenda à Constituição dos EUA, que impede o Congresso de criar leis que limitem a liberdade de expressão, imprensa, reunião, religião e petição ao governo.




