Edinho diz que arranjo vigente “não é nosso”, afirma que Lula combate a corrupção e cobra reformas após anos de coalizão nos governos petistas
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou, nesta 6ª feira (24.abr.2026), na abertura do 8º Congresso Nacional do partido, em Brasília, que o modelo político vigente no Brasil não pertence ao campo petista e precisa ser enfrentado.
“É chegado o momento de nós denunciarmos o modelo político que está aí, porque ele não é nosso, ele não nos serve e nós nunca defendemos esse modelo político“, disse Silva.
De 2003 a 2016, o PT governou o país como protagonista e beneficiário do presidencialismo de coalizão. Nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT), o partido operou com partidos de centro e direita, distribuindo ministérios em troca de apoio congressistas. Nesse período, nem a reforma política nem a reforma do Judiciário saíram do papel.
Silva não especificou a que modelo se referia, mas contextualizou a crítica dentro de uma análise sobre a financeirização da economia, a concentração de renda e o que chamou de “crise longa do capitalismo”. Defendeu reformas estruturais no Judiciário, no sistema tributário e no mundo do trabalho.
O presidente do partido declarou que o PT tem autoridade moral para enfrentar o tema e citou o presidente Lula como exemplo.
“Nós combatemos, sim, a corrupção. Quem pediu investigação das denúncias contra o INSS tem nome, se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Quem pediu investigação contra as fraudes do Banco Master tem nome, se chama Luiz Inácio Lula da Silva”, disse.
Sérgio Lima/Poder360 – 24.abr.2026
“Disputa de 2026 não é uma disputa eleitoral é uma disputa de futuro do Brasil”, disse Edinho
O escândalo do mensalão, durante o 1º governo Lula, e o petrolão, no governo Dilma, tiveram ambos com envolvimento de dirigentes e congressistas do PT. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por exemplo, foi condenado no mensalão e esteve presente no congresso desta 6ª feira (23.abr).
O discurso do presidente do PT foi o mais longo e denso da noite. Diante de 519 delegados reunidos no Complexo Brasil 21, Silva disse que o partido precisa “sair da defensiva” e “ouvir o que a sociedade está dizendo”. Foi uma admissão de que há um descontentamento que o governo ainda não conseguiu capturar.
“Nós nunca vivenciamos tão de perto a organização fascista no Brasil como nós estamos vivenciando agora”, afirmou, ao afirmar que a disputa eleitoral de 2026 não é como uma eleição ordinária, mas como “uma disputa pelo futuro do Brasil”.
O dirigente também cobrou que a militância compare o atual governo com a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e nomeou os adversários sem rodeios. “As lideranças fascistas do Brasil têm nome e sobrenome. E nós temos que dizer isso ao povo brasileiro a todo momento”, disse.
Sérgio Lima/Poder360 – 24.abr.2026
O 8º Congresso do PT dividiu os trabalhos em cinco subsecretarias. José Dirceu ficou responsável pelo programa partidário e também discursou no evento
A abertura começou esvaziada e o plenário só ganhou volume por volta das 20h. A baixa presença de jovens também foi notada. Entre os presentes estavam:
- Edinho Silva (presidente nacional do PT);
- Jilmar Tatto (vice-presidente nacional do PT e deputado federal por SP);
- José Guimarães (ministro da Secretaria de Relações Institucionais);
- Humberto Costa (senador pelo PT-PE e 2º vice-presidente do Senado);
- Zeca Dirceu (deputado federal pelo PT-PR);
- Pedro Uczai (líder do PT na Câmara dos Deputados e deputado federal por SC);
- Geraldo Alckmin (vice-presidente da República);
- Paulo Okamotto (ex-presidente da Fundação Perseu Abramo e um dos coordenadores da campanha de Lula);
- Carlos Lupi (ex-ministro da Previdência Social e presidente do PDT);
- José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil);
- Márcia Lopes (ministra das Mulheres).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu –realizou procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Enviou um vídeo ao evento no qual confirmou a intenção de disputar a reeleição. “Se preparem: eu vou ser presidente outra vez”, disse.
O congresso segue até domingo (26.abr).


