Valor poderá ser menor, segundo presidente da estatal, Emmanoel Rondo; empresa opera com plano de reestruturação
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse nesta 5ª feira (23.abr.2026) que a estatal avalia a necessidade de nova captação em 2026. O valor pode ser inferior aos R$ 8 bilhões estimados anteriormente. A estatal apresentou o resultado dos 100 primeiros dias do plano de reestruturação fiscal e financeira.
Rondon disse que “talvez não valha” captar muito recursos agora e ficar empoçado –quando há dinheiro disponível no caixa, mas a empresa não consegue gastá-lo.
“Podem não ser os R$ 8 bilhões para uma próxima captação. Algumas ações que a gente conseguiu implementar trouxeram conforto de liquidez que é relevante”, disse o presidente dos Correios.
Para Rondon, os bancos estariam menos resistentes a novos empréstimos em 2026 por causa do plano de reestruturação. A estatal anunciou a adesão de 3.748 funcionários no programa de demissão voluntária, menos da metade que a meta 10.000 anunciados em dezembro. Os Correios também planejavam cortar 1.000 unidades. Reduziram 68.
Em dezembro, a estatal firmou um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de 5 grandes bancos –Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa– para reforçar seus cofres.
A operação terá vigência de 15 anos, com término estimado em 26 de dezembro de 2040, e conta com garantia da União. Na prática, isso significa que o governo federal atua como garantidor da dívida, reduzindo o risco para as instituições financeiras e permitindo condições mais favoráveis de prazo e custo.
O plano de reestruturação da empresa projetava captar R$ 20 bilhões com bancos. Faltariam, portanto, R$8 bilhões para fechar as contas.
PREJUÍZO TRIPLICOU
Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões em 2025. Esse valor mais do que triplicou em relação ao ano anterior (R$ 2,6 bilhões). O rombo nas contas dos Correios foi recorde na série histórica desde, pelo menos, o Plano Real, de 1994. Rondon disse que o resultado foi “diferente” do que a estatal gostaria, mas foi melhor do que o estimado anteriormente pela equipe que assumiu a companhia em setembro (de R$ 9 bilhões a R$ 10 bilhões de saldo negativo).
Rondon disse que, em 2026, a estatal terá um ano “muito intenso” para recuperar a lucratividade em 2027.
Os Correios anunciaram o plano de recuperação fiscal em 29 de dezembro de 2025. A estatal previa ter um ganho de R$ 7,4 bilhões por ano, sendo R$ 4,2 bilhões com cortes de 15.000 funcionários e fechamento de 1.000 unidades de atendimento, e outros R$ 3,2 bilhões com o aumento de receita.
Leia reportagens feitas pelo Poder360 na época:




