Lula diz que nenhum país pode excluir integrantes do G20

Na Espanha, o presidente critica decisões unilaterais e cobra reformas em organismos multilaterais e na governança global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que nenhum país tem autoridade para excluir integrantes do G20 de forma unilateral e defendeu a permanência de todos os integrantes no grupo, ao citar o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. A declaração foi feita neste sábado (18.abr.2026), na 4ª reunião de Alto Nível do Fórum de Defesa da Democracia, na Espanha.

Durante o discurso, Lula criticou a possibilidade de decisões unilaterais sobre a composição do grupo e afirmou que nenhuma liderança isolada deve ter poder para definir quem participa do fórum internacional. “Vamos brigar, Ramaphosa, para você ir para o G20 nos Estados Unidos, porque o presidente americano (Donald Trump) não tem o direito de tirar você do G20, porque ele não é dono do G20. Então, se prepare para ir aos Estados Unidos ficar lá na porta para entrar no G20.”

Lula acrescentou que a defesa do multilateralismo precisa ser constante diante de pressões e ameaças recorrentes no cenário internacional: “Nós temos que dizer isso todo dia, […] porque todo dia nós somos ameaçados. […] Então eu quero dizer para vocês, caros companheiros e companheiras, que eu estou nessa luta porque eu sei que, individualmente, não tem saída para nenhum de nós.”

MULTILATERALISMO E CRÍTICA À GOVERNANÇA GLOBAL

Em tom de defesa do multilateralismo, ele reforçou a importância da manutenção da governança coletiva no G20. O presidente também lembrou a criação do G20 após a crise financeira de 2008 e afirmou que reformas estruturais em instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial não avançaram.

“Quando houve a crise do subprime em 2008, nós criamos o G20. Para quê? Para tentar resolver a crise. Tentamos mudar o FMI, tentamos mudar o Banco Mundial. Nada mudou”, afirmou.

Lula ainda defendeu maior representatividade de países emergentes e do Sul Global em instâncias de decisão internacional, como o Conselho de Segurança da ONU. Ele citou a ausência de países populosos e economicamente relevantes na estrutura atual.

“Cadê a representação africana? Só no continente africano nós temos 3 países com mais de 120 milhões de habitantes. Cadê a participação do México, do Brasil, de uma Argentina, de uma Colômbia? Cadê a participação da Índia? Tantos países importantes: Alemanha, Japão, Indonésia… todos esses países poderiam participar. E por que não se muda?”, questionou no discurso.

O presidente criticou ainda o uso recorrente do veto e decisões unilaterais por potências militares: “Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum.”

INTERVENÇÕES MILITARES E GUERRAS RECENTES

No discurso, Lula mencionou diferentes conflitos internacionais ao longo das últimas décadas, criticando intervenções militares feitas sem autorização de organismos multilaterais.

Ele citou casos como a invasão do Iraque, da Líbia, da Ucrânia e da Faixa de Gaza e afirmou que tais ações enfraquecem o sistema internacional: “São decisões unilaterais que não respeitam o fórum do qual essas pessoas participam.”

Segundo o presidente, a ausência de coordenação global contribui para o aumento de conflitos armados e da instabilidade econômica.


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