Apesar da queda do Ibovespa na última sexta-feira (17) de 0,55%, a 195.733,51 pontos, e de fechar a semana em baixa de 0,81%, os analistas de mercado seguem otimistas em geral com o mercado de ações brasileiro, mas também veem alguns sinais de cautela.
Mesmo destoando fortemente dos ganhos do exterior no período por conta do impacto das ações de petroleiras, com grande composição no índice, em meio à queda do petróleo com a reabertura do estreito de Ormuz, a visão de que o conflito no Oriente Médio diminua leva a um cenário de apetite a risco que contribui positivamente para mais aportes nos mercados emergentes, além de diminuir as projeções de inflação que podem levar a um ciclo mais rápido de corte de juros. Por outro lado, os estrangeiros – que guiaram os recordes do benchmark da Bolsa ao longo do ano – podem retomar algum fluxo para os EUA.
Bruno Perri, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, aponta que, havendo continuidade da redução dos preços do petróleo, pode haver novos ciclos de fechamento das curvas de juros, reduzindo assim as expectativas de inflação.
“A revisão para baixo do IPCA de 2026 no Focus, por exemplo, junto com os fatores acima, pode trazer um tom mais dovish (brando, sinalizando mais cortes de juros) ao próximo Copom (Comitê de Política Monetária), o que poderia destravar um importante movimento na renda variável”, avalia.
Neste sentido, empresas ligadas ao consumo doméstico podem se favorecer, além do setor financeiro. Cabe destacar que o índice Small Caps, que não tem os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) – que fecharam em forte queda na sexta com o petróleo – na sua composição, fechou em alta de 0,93%.
Já para o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, houve um “fortíssimo” movimento de descompressão de risco no mercado internacional, decorrente principalmente do movimento dos preços do petróleo. Zanlorenzi acrescentou que a forte queda da commodity naturalmente gera uma melhora do otimismo internacional, principalmente em relação a risco institucional e preço de combustíveis e matéria-prima energética e, consequentemente, inflação.
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“Isso ajuda muito o Brasil”, afirmou, reforçando que o Ibovespa acabou sendo penalizado pelo peso muito grande que as ações da Petrobras, que detêm uma participação combinada de 13% no índice.
Contudo, Zanlorenzi ponderou que essa melhora do mercado internacional pode devolver um otimismo maior para o mercado norte-americano e afetar o fluxo de capital global, que vem sendo um dos principais suportes para as ações brasileiras. A piora da perspectiva de risco para os EUA desencadeou desde o ano passado um movimento de rotação de ativos, com recursos saindo do mercado norte-americano principalmente para mercados emergentes, com o Brasil beneficiando-se de tal migração.
“Talvez a retomada de uma exuberância muito grande de preço ou de perspectiva nos Estados Unidos possa impactar um pouco a entrada de capital…(para as ações brasileiras)”, acrescentou Zanlorenzi, avaliando que isso pode explicar a bolsa brasileira não ter mostrado uma “euforia” nesta sessão.
Entre as ações com maior queda nesta sessão, apontou, estão justamente aquelas que receberam grande parte desse fluxo externo e mais subiram, como Petrobras e Axia (AXIA3), o que pode ser o estrangeiro realizando lucros.
Dados da B3 sobre a movimentação de investidores estrangeiros mostram uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões em abril até o dia 15, com o saldo no ano positivo em R$ 68 bilhões.
O JPMorgan avalia que o Ibovespa pode atingir os 230 mil pontos, com o fluxo externo ganhando ainda mais protagonismo e podendo se tornar o maior catalisador de alta em seis meses.
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Apesar do otimismo, o banco reconhece que o ambiente tende a se tornar mais desafiador com a proximidade das eleições de outubro. Historicamente, períodos eleitorais costumam elevar a volatilidade, e a expectativa de uma disputa apertada reforça esse risco. Por outro lado, a aceleração do ciclo de afrouxamento monetário pode ajudar a amortecer parte desse movimento.
Nesse contexto, pode haver espaço para uma rotação de portfólio, com redução de exposição a commodities e maior peso em setores domésticos, como financeiros e ativos sensíveis à queda de juros. Ainda que as avaliações não sejam particularmente atrativas, especialmente entre os grandes bancos, o mix de mercado pode melhorar à medida que o ciclo monetário avance e os fluxos se ampliem.
(com Reuters)
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