Mais de 170 milhões de novos postos de trabalho devem surgir até 2030, segundo o relatório Future of Jobs 2025. E a maior surpresa não está nos escritórios de tecnologia. Está no campo, na estrada e na construção civil.
O levantamento do World Economic Forum revelou algo que poucos esperavam: entre as profissões do futuro com maior crescimento absoluto, lideram os trabalhadores agrícolas, motoristas de entrega e operários da construção.
Afinal, se o mundo caminha para a automação, por que funções manuais e presenciais estão em alta? A resposta passa por mudanças climáticas, envelhecimento populacional e uma economia digital que depende, cada vez mais, de pessoas fora das telas.
Confira o que o relatório revelou e quais habilidades vão definir quem prosperará nessa nova configuração do trabalho.
O que é o relatório Future of Jobs 2025
O Future of Jobs Report é um estudo publicado a cada dois anos pelo World Economic Forum (WEF), com sede em Genebra. A edição de 2025 ouviu mais de mil grandes empregadores de 22 setores em 55 economias, representando aproximadamente 14 milhões de trabalhadores no mundo.
O objetivo é mapear como megatendências como inteligência artificial, transição verde, mudanças demográficas e fragmentação geoeconômica vão transformar o mercado de trabalho até 2030.
Números-chave do relatório
O relatório aponta que, até 2030, serão criados cerca de 170 milhões de novos empregos globalmente. Ao mesmo tempo, 92 milhões de postos devem desaparecer. O saldo líquido é positivo: 78 milhões de vagas adicionais, o equivalente a 7% do emprego atual no planeta.
Esses números mostram que o mercado não vai encolher. Ele vai se reconfigurar — e rápido.
Profissões do futuro: as surpresas fora do universo digital
A imagem do “emprego do futuro” costuma estar associada a desenvolvedores, cientistas de dados e executivos de startups. O relatório do WEF quebra essa expectativa. Em números absolutos, as funções que mais crescem estão ligadas às necessidades básicas da sociedade.
Trabalhadores agrícolas no topo
A lista começa com uma categoria inesperada: trabalhadores do campo. Impulsionada pelas mudanças climáticas, pela busca por produção sustentável e pelo aumento do custo de vida, a área agrícola deve gerar cerca de 34 milhões de novos empregos até 2030.
A crise ambiental recolocou o setor no centro das discussões econômicas. Segurança alimentar virou tema estratégico, e o campo passou a concentrar investimentos em automação agrícola, agroecologia e rastreabilidade de produção.
Motoristas de entrega e logística
Em segundo lugar aparecem os motoristas de entrega. O crescimento acompanha a expansão do comércio eletrônico e a reorganização das cadeias de distribuição urbana. Aplicativos de logística, centros de processamento e última milha criam uma demanda contínua por profissionais de transporte.
Construção civil em expansão
Trabalhadores da construção civil também figuram entre os que mais ganham espaço. A urbanização em economias emergentes, a reforma de infraestrutura em países desenvolvidos e a adaptação de cidades ao clima extremo alimentam o setor.
Vendedores do varejo seguem relevantes
Mesmo com o avanço do e-commerce, o varejo físico continua gerando vagas. O atendimento presencial ganhou nova função: criar experiência e complementar o digital, em vez de competir com ele.
Profissões em alta no setor digital
A tecnologia não sai da lista — apenas divide o palco. Entre as profissões do futuro de crescimento mais acelerado em termos relativos, o WEF destaca quatro frentes digitais.
Especialistas em Big Data e Inteligência Artificial
Cargos ligados à análise de dados e aprendizado de máquina lideram o crescimento percentual. Empresas precisam de profissionais capazes de interpretar grandes volumes de informação e construir modelos preditivos.
Engenheiros de FinTech
O setor financeiro passa por uma transformação profunda, com pagamentos instantâneos, moedas digitais e sistemas abertos. FinTechs demandam profissionais híbridos, que unem programação e conhecimento regulatório.
Desenvolvedores de software e aplicativos
Permanecem como uma das categorias com maior volume de contratação. A diferença em relação à década anterior é a especialização: back-end para IA, segurança, desenvolvimento mobile e nuvem.
Especialistas em segurança da informação
Com o aumento dos ataques cibernéticos, profissionais de cibersegurança viraram prioridade em setores como saúde, energia e governo.
Saúde e cuidado: o impacto do envelhecimento populacional
Outro bloco em expansão envolve profissionais da saúde. O relatório aponta crescimento consistente para enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e cuidadores.
Por que o cuidado ganha espaço
O envelhecimento populacional é um dos principais motores dessa tendência. Em países como Brasil, Japão e Itália, o aumento da expectativa de vida amplia a demanda por serviços de longa permanência, reabilitação e apoio domiciliar.
Saúde mental em destaque
Psicólogos e terapeutas também aparecem com crescimento relevante. A discussão sobre saúde mental saiu do nicho e chegou às políticas públicas, corporativas e educacionais.
Habilidades que vão definir as profissões do futuro
O WEF estima que 39% das habilidades centrais exigidas no trabalho mudem até 2030. O pensamento analítico segue como competência mais valorizada, mas não caminha sozinho.
Entre as habilidades que mais crescem em relevância estão:
- Alfabetização em inteligência artificial e Big Data
- Pensamento criativo
- Resiliência, flexibilidade e agilidade
- Curiosidade e aprendizado contínuo
- Liderança e influência social
- Gestão de talentos
- Conhecimento em redes, cibersegurança e tecnologia
A combinação de competências técnicas com habilidades humanas, as chamadas soft skills, aparece como o grande diferencial para quem quer se manter competitivo.
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