EUA encerram alívio a sanções e interceptam petroleiros do Irã

As ações reforçam a pressão de Washington sobre Teerã após o início do bloqueio naval

Os Estados Unidos disseram que não vão renovar a flexibilização temporária das sanções ao petróleo iraniano e, ao mesmo tempo, interceptaram 2 petroleiros que tentavam deixar o país. As ações reforçam a pressão de Washington sobre Teerã após o início de um bloqueio naval e diante do impasse nas negociações para encerrar a guerra.

O Departamento do Tesouro informou nesta 3ª feira (14.abr.2026) que a autorização emergencial para a venda de petróleo iraniano, criada para aliviar o impacto da guerra, expira nos próximos dias e não será prorrogada. A medida permitia a comercialização de cargas que já estavam no mar antes de 20 de março e tinha validade até 19 de abril.

Em comunicado publicado no X, o Tesouro afirmou: “O Departamento está agindo de forma agressiva com ‘Fúria Econômica’, mantendo pressão máxima sobre o Irã”. Disse ainda que “instituições financeiras devem estar em alerta” e que os EUA estão prontos para “empregar toda a gama de ferramentas disponíveis”, incluindo sanções secundárias contra entidades estrangeiras que apoiem atividades iranianas. Também declarou que a autorização temporária para venda de petróleo iraniano “expira em poucos dias e não será renovada”.

A flexibilização havia sido adotada pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) como parte de um conjunto de ações para conter a alta dos preços de energia após o início do conflito em 28 de fevereiro. Iniciativa semelhante também atingiu restrições ao petróleo russo transportado por via marítima.

O cenário se agravou depois de o Irã restringir o trânsito de navios no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. Apesar de um cessar-fogo temporário de 2 semanas, as negociações recentes no Paquistão não avançaram. Após o impasse, Trump ordenou o bloqueio de portos iranianos.

No campo operacional, um destróier dos EUA interceptou 2 petroleiros que tentavam deixar o Irã na 3ª feira (14.abr), já sob efeito do bloqueio, de acordo com a agência Reuters. Segundo uma autoridade americana, os navios haviam partido do porto de Chabahar, no Golfo de Omã, e foram orientados por rádio a retornar.

Os 2 navios fazem parte de um grupo de 6 embarcações comerciais que, segundo o Comando Central dos EUA, receberam ordem para dar meia-volta e regressar a portos iranianos. De acordo com os militares, nenhuma embarcação conseguiu ultrapassar o bloqueio desde o início da operação, na 2ª feira (13.abr).

A operação envolve mais de 10 mil militares, além de navios de guerra e aeronaves. Especialistas avaliam que ainda é cedo para medir a eficácia da estratégia. Também alertam que a medida pode provocar reação de Teerã e aumentar a tensão sobre o cessar-fogo em vigor.


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