A vida avança, e inevitavelmente percebemos que quem estava ao nosso lado agora está para trás, se distanciando. É o momento do logoff da vida a dois, a hora de remover o “@alheio” do perfil.
Inicia-se, então, uma verdadeira maratona digital: remover marcações, comentários e publicações compartilhadas. Para alguns, é mais prático criar um novo perfil virtual, adicionando apenas os amigos mais próximos. Isso, inclusive, facilita a vida dos curiosos e dos “novos contatinhos”, pois a vida segue seu ritmo, muitas vezes apressado. Essa pressa, no entanto, é para virar a página e viver o novo, o que nem sempre significa entrar em outro relacionamento imediatamente.Afinal, o fim de um relacionamento geralmente se deve ao desgaste. É mais frequente que os homens procurem novas parceiras que substituam suas mães na esfera afetiva, enquanto as mulheres desenvolvem resiliência e até resistência em buscar algo novo que, no fundo, nem será tão diferente.
Eu faço parte da geração forjada no Orkut, do flerte via MSN, dos comentários no Fotolog e com um currículo razoável no Facebook. Não se trata de expor a idade de ninguém, mas de lembrar de nós, que chegamos quando a internet ainda era um território inexplorado. Amar virtualmente antes significava escrever longos textos, tirar fotos com Cybershot, transferi-las via cabo para o computador e postá-las, uma a uma, em baixa resolução, enquanto se baixava música no Kazaa. Eu sou do tempo em que os e-mails eram verdadeiras cartas virtuais. Hoje, descobrir se alguém está em um relacionamento exige uma verdadeira caçada virtual. É preciso tirar prints de fotos enigmáticas, que mostram apenas fragmentos de pessoas – uma perna com calça jeans folgada, por exemplo, que impede saber o gênero.Outras vezes, a marcação do parceiro é feita com um arroba minúsculo, obrigando-nos a incorporar um espírito de Sherlock Holmes, muitas vezes sem sucesso.Há casos de casais que se uniram, separaram, reataram e se separaram novamente sem que ninguém soubesse quando ocorreu cada etapa. Não se trata de fofoca, mas de um direito à informação. Afinal, se alguém fica solteiro, sempre haverá outra pessoa interessada.
O divórcio virtual é particularmente difícil por envolver o tempo: tem casais com mais de quinze anos de conteúdo na rede. Contudo, com a migração e concentração nas redes sociais mais populares, é provável que esse passado digital acabe esquecido, relegado ao final do “cesto de roupas” das buscas. Resta aos separados varrerem para debaixo dos tapetes suas histórias ou começarem tudo de novo. Minha sugestão é que sejam muito claros nas intenções, se organizarem direitinho, todo mundo beija na boca.
Fui
Thiago Maroca é escritor, cineasta, chefe escoteiro e pai do Théo. Nas horas vagas, passeia pela internet buscando “furos” de reportagem.
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