Criado em Brasília em 2011, sigla dominou base municipalista e em 2026 lança seu 1º candidato à Presidência da República
Há 13 anos, num auditório da Câmara dos Deputados em Brasília, Gilberto Kassab assinou a ata de fundação do Partido Social Democrático. Era 13 de abril de 2011, uma 4ª feira. O então prefeito de São Paulo –no 2º mandato à frente da maior cidade do país, cargo que exerceria até o fim de 2012– havia deixado o DEM para criar a própria legenda com uma premissa: havia espaço para um partido de centro numa política cada vez mais polarizada.
“Nós entendíamos que a sociedade brasileira é moderada e que havia espaço para nascer um partido. E eu acho que foi acertada a decisão, haja vista o crescimento e a consolidação do PSD nesses 13 anos”, disse Kassab ao Poder360.
Entre os primeiros filiados estavam o então vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia, a então senadora Kátia Abreu e o então governador do Amazonas, Omar Aziz. A data formal do registro do partido é setembro de 2011, quando o Tribunal Superior Eleitoral deferiu o pedido. É quando o partido celebra seu aniversário. Esta 2ª feira (13.abr.2026) é o dia da fundação.

A arrancada
O PSD nasceu com 55 deputados federais —3ª maior bancada do Congresso—, 2 senadores e 2 governadores: Raimundo Colombo, de Santa Catarina, e Aziz, do Amazonas.
Kassab atraiu congressistas de múltiplas siglas antes mesmo do registro formal. Entre eles, 17 deputados federais do DEM, além de quadros do PSDB, MDB e PP como Guilherme Afif Domingos, Indio da Costa e Cláudio Lembo.
A criação do PSD foi marcada por forte reação de partidos como DEM e PSDB, que perderam quadros importantes na migração para a nova legenda. À época, a ofensiva política provocou acusações de que a sigla teria se beneficiado de uma onda de “troca partidária” de congressistas ainda em mandato.
Houve também questionamentos no TSE sobre o registro da sigla em 2011, sob a alegação de que a movimentação poderia ferir regras de fidelidade partidária. O TSE, porém, autorizou as novas filiações.
Ainda nos primeiros anos, a legenda passou a integrar a base do governo Dilma Rousseff (PT), o que reforçou sua estratégia de atuação no centro.
A aproximação com diferentes governos federais passou como exemplo do pragmatismo da sigla, que foi frequentemente acusada de priorizar espaço institucional em detrimento de identidade programática mais definida.
O 1º teste eleitoral veio nas eleições municipais de 2012, quando o partido conquistou 494 prefeituras em 1 ano de vida. O MDB, que dominava o ranking municipal desde os anos 2000, ainda estava longe de ser alcançado, mas o PSD havia dado o sinal.
Eleição a eleição
No pleito geral de 2014, o PSD se consolidou como 5ª força política na Câmara, com 36 parlamentares. Nas eleições municipais seguintes, o crescimento foi constante: 652 prefeituras em 2016 e 659 em 2020.
O salto viria nas eleições de 2018 e 2020. A legenda foi abrigando políticos de diferentes espectros que buscavam pragmatismo –entre eles Ratinho Junior, eleito governador do Paraná em 2018, e Eduardo Paes, que voltou à prefeitura do Rio em 2020.
No pleito municipal de 2020, o PSD conquistou 659 prefeituras, consolidando-se como a 2ª força local do país.
No Congresso, a trajetória foi de crescimento consistente. Nas eleições de 2022, o partido elegeu 42 deputados federais e passou a ocupar a 3ª maior bancada da Câmara.
Em 2026, Kassab construiu uma rede de governadores que deu musculatura nacional ao partido: Ratinho Junior no Paraná, Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e Ronaldo Caiado em Goiás — todos da sigla. “Hoje, inquestionavelmente, o PSD se consolidou como um dos partidos mais importantes da democracia brasileira“, disse o dirigente.
O PSD hoje
Em 2024, o PSD elegeu 891 prefeitos, desbancando o MDB, que liderava o ranking desde 1988.
A vitória foi ampla: o partido também elegeu 5 prefeitos de capitais — Eduardo Paes no Rio (RJ), Eduardo Pimentel em Curitiba (PR), Fuad Noman em Belo Horizonte (MG), Eduardo Braide em São Luís (MA) e Topázio Neto em Florianópolis (SC).
“O PSD tem muito a mostrar nas gestões públicas que exerce ou de que participa, e isso se mostra mais uma vez na eleição de hoje”, disse Kassab.
A estratégia de crescimento segue concentrada em ampliar a presença regional e consolidar líderes locais.
Kassab citou avanços no Sul e Sudeste como principais vetores de expansão, com destaque para Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “Vamos crescer muito em praticamente todos os Estados”, disse.
Em abril de 2026, o partido conta com 49 deputados federais e 13 senadores, representantes de todas as regiões do país.
Kassab destaca a densidade da estrutura: “No campo municipalista, nós elegemos nas últimas eleições aproximadamente 900 prefeitos. Hoje já são aproximadamente 1.300, são milhares de vereadores e ultrapassamos o número de milhares de vice-prefeitos. A base municipalista nasceu forte e hoje ela é mais densa ainda.”
O partido terá também o maior número de candidatos a governador de sua história: 12 nomes, em estados como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Maranhão.
O dirigente afirmou que o PSD mantém a identidade de centro pragmático, combinando agenda liberal na economia com políticas sociais estruturantes. “Somos liberais na economia, mas com cuidado muito grande nas pautas sociais”, declarou, ao citar defesa do SUS, da educação pública e de políticas de transparência.
Kassab também afirmou que mira a defesa de reformas institucionais, como a administrativa e o voto distrital misto, que, segundo ele, seguem no centro da agenda da legenda.
O candidato Caiado
em 2026, o PSD terá, pela 1ª vez, um candidato à Presidência da República: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Para Kassab, a candidatura é a síntese dos 13 anos. “Não é qualquer partido que tem condições de lançar um candidato à Presidência com chance de vitória. Isso, inquestionavelmente, vai ajudar a avançar o partido“, disse.
Kassab afirmou que não são muitas as siglas com capacidade de lançar um candidato próprio à Presidência com competitividade, avaliação que, segundo ele, reforça a evolução da legenda desde a fundação.
Os números dão respaldo ao otimismo. Pesquisa Datafolha divulgada no sábado (11.abr.2026) mostrou Caiado empatado tecnicamente com Lula no 2º turno pela 1ª vez: 45% a 42%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Caiado também registra o menor índice de rejeição entre os candidatos testados: 16%, ante 48% de Lula. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.
Para Kassab, o dado mais relevante é o potencial de crescimento. “Fica constatado, inquestionavelmente, que ele vai crescer. No 2º turno, ele ganha do Lula e vai ganhar bem. Agora vai começar a crescer porque vai se apresentar. Ele tem um índice de desconhecimento ainda bastante alto, o que é muito positivo”, disse.




