Presidente do partido disse que denúncias elevam rejeição ao governo e trata Datafolha como retrato momentâneo da disputa
Líderes do PT reagiram neste sábado (11.abr.2026) à pesquisa Datafolha que, pela 1ª vez, mostrou Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de 2º turno. O levantamento mostrou um empate técnico entre os 2 pré-candidatos, com o senador marcando 46% contra 45% do presidente. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Lula também empata tecnicamente nos cenários contra Romeu Zema (Novo) e contra Ronaldo Caiado (PSD).
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu Lula e atribuiu a perda da liderança nas intenções de voto ao contexto de escândalos que afetam o país.
“A pesquisa é uma fotografia do momento. Ela reflete o crescimento do sentimento antissistema, principalmente por conta das denúncias de corrupção que o país está vivendo“, afirmou.
Para o dirigente, há um efeito colateral inevitável: a percepção de irregularidades faz com que a responsabilidade recaia sobre quem está no poder. Edinho também procurou reposicionar o governo no debate e afirmou que as investigações em curso partem da própria gestão.
“Se as denúncias estão sendo investigadas, é mérito do presidente Lula. A nossa tarefa é deixar claro que quem está patrocinando a apuração de todas as denúncias, INSS, Master, é o presidente Lula”, disse.
ESCÂNDALOS INFLUENCIAM
O diagnóstico não é novo dentro do PT. Integrantes do partido avaliam que episódios recentes envolvendo o Banco Master, assim como investigações sobre fraudes no INSS e suspeitas levantadas contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, têm potencial de desgastar politicamente o governo e influenciar o ambiente eleitoral. O Poder360 mostrou em março que petistas viam risco eleitoral nessa combinação de casos.
A leitura interna, porém, é que o quadro ainda é fluido e pode ser alterado com o início formal da campanha. Há a expectativa de que Flávio tenha um desempenho inferior nos debates e uma maior exposição pública, o que pode aumentar a sua rejeição. Aliados também acreditam que as novas medidas econômicas do governo terão impacto positivo e vão ajudar a melhorar o ambiente.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também minimizou os números da pesquisa, mas reconheceu a gravidade do cenário.
“Tem muita gente me perguntando sobre essa nova pesquisa Datafolha de hoje em que Flávio Bolsonaro aparece empatado com Lula. De fato essa será uma eleição decisiva para o futuro do nosso país, mas tenho convicção de que Lula será reeleito”, disse no X.
Ele acredita no embate direto com Flávio Bolsonaro como estratégia para reverter a tendência. É a estratégia declarada do PT. E segundo Lindbergh, a exposição das diferenças entre os 2 campos tende a beneficiar Lula.
“A pesquisa é o retrato do momento e a campanha ainda nem começou. Quando a campanha começar, nós vamos mostrar quem é quem. O Flávio Bolsonaro significa mais armas, mais bets, mais milícias”, declarou.
O deputado associou o adversário a pautas impopulares e defendeu que o governo deve centrar a comunicação em indicadores econômicos. Citou a queda do desemprego, o aumento da renda e programas sociais como trunfos.
“Flávio Bolsonaro significa que o salário mínimo vai ser congelado. Significa jornada de trabalho de 12 horas por dia, enquanto o presidente Lula quer o fim da escala 6×1”, disse.
REJEIÇÃO
Ao Poder360, o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, disse que a sigla vai intensificar a comparação entre o governo de Lula e a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, o PT faz uma autocrítica sobre a comunicação no início do mandato.
“O partido pecou ao não explicitar o tamanho do estrago herdado”, afirmou.
O PT também avalia que a rejeição elevada está ligada ao alto grau de conhecimento de Lula. O Datafolha mostra que o presidente é conhecido por praticamente todo o eleitorado — 99% dizem saber quem ele é.
Ao mesmo tempo, dirigentes admitem um problema de comunicação. A leitura é que parte relevante da população não conhece ou não associa diretamente ao governo os resultados econômicos e sociais.
Esse diagnóstico já foi exposto publicamente dentro do próprio Planalto. Em reunião ministerial, o então chefe da Casa Civil, Rui Costa, questionou se “o povo sabe” das ações do governo e defendeu ampliar a comparação com a gestão anterior.
O patamar atual acende alerta no partido. Em um cenário de polarização, a rejeição funciona como teto eleitoral e pode limitar o crescimento do presidente. A campanha vai exigir reconquista de eleitores indecisos e divulgação dos feitos do governo.
FLÁVIO EMPATA
No levantamento do Datafolha, o senador e pré-candidato do PL à Presidência tem 46% das intenções de voto contra 45% do atual presidente em eventual disputa de 2º turno para o Planalto.
Quando a pesquisa considera o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) ou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) como rival de Lula no 2º turno, o mandatário marca 45% a 42%.
Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, todos esses cenários configuram empates. A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades de 3ª feira (7.abr) a 5ª feira (9.abr). Está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.
Sobre a intenção de voto no 2º turno, eis como os entrevistados responderam nos 3 cenários:

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