André Mendonça autorizou busca e apreensão a escritório de Nelson Wilians em setembro do ano passado
A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) encerrou contrato com o escritório de Nelson Wilians em outubro de 2025, 1 mês depois que a firma de advocacia foi alvo de busca e apreensão.
A informação foi passada aos associados nesta semana, alguns meses depois da posse de uma nova gestão da organização. Segundo o comunicado, é preciso que os vinculados atualizem os dados de causas individuais até 13 de abril. O contrato tinha pelo menos 14 anos.
“Buscando o melhor atendimento jurídico para nossos associados, desde outubro de 2025 esta associação firmou contrato com o escritório Barreto e Dolabella”, escreveu a associação.
O Poder360 procurou o escritório de Nelson Wilians para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do fim do contrato. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Já a ADPF afirmou que o escritório cuidava de causas individuais. Leia a íntegra da nota enviada a este jornal digital:
“A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) esclarece que, em outubro de 2025, a gestão anterior da Associação decidiu contratar um novo escritório de advocacia para atender aos associados individualmente em suas demandas administrativas e funcionais. Por essa razão, a nova diretoria da entidade, empossada em dezembro de 2025, decidiu concentrar esse tipo de ação apenas no novo escritório. A concentração traz maior controle, simplifica rotinas e facilita a gestão do relacionamento entre os associados, a diretoria e os advogados. A ADPF reafirma seu compromisso com a transparência e a boa gestão administrativa, pautando suas decisões no melhor interesse da entidade e de seus associados.
“Brasília, 10 de abril de 2026.
“Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF)”
Entenda o caso
O escritório de Nelson Wilians é um dos maiores do Brasil. O sócio-fundador foi alvo de busca e apreensão em setembro de 2025, por autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. A PF (Polícia Federal) havia pedido a prisão preventiva do advogado por transferir R$ 28 milhões de forma suspeita a um empresário investigado em esquema de fraude nos descontos associativos do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).
Na mesma decisão, Mendonça autorizou a prisão preventiva de Maurício Camisotti, apontado como líder do esquema, e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “o careca do INSS”. Leia a íntegra (PDF – 694 kB)
Ao analisar o pedido para a imposição das medidas cautelares contra os 3 investigados, o ministro André Mendonça considerou que, no caso de Nelson Wilians, “não foram apontados, de modo individualizado, atos que pudessem configurar risco de fuga, tentativa de obstrução direta das investigações, ou fossem aptos a configurar –com o rigor de probabilidade necessário– quadro de continuidade de práticas delitivas.”
No entanto, Mendonça ordenou que fossem feitas ações de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário. Ao todo, além dos 2 mandados de prisão preventiva, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão no Estado de São Paulo e no Distrito Federal.
De acordo com reportagem da revista Piauí, a PF encontrou na residência do advogado, no Jardim Paulista, na Zona Oeste de São Paulo (SP), uma série de obras de arte, esculturas de bronze, além de relógios de luxo. Os investigadores apreenderam pelo menos 5 quadros assinados pelo pintor Di Cavalcanti.
Na época, a defesa de Nelson Wilians afirmou que sua relação com Camisotti era “estritamente profissional e legal”. Frisou que os valores transferidos se referem à compra de um terreno vizinho à sua residência.
Os advogados afirmaram que “a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade”.




