Uma ação em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) pode alterar de forma significativa as regras para acordos de delação premiada no país e pode colocar em risco a efetivação da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O processo, apresentado pelo PT em 2021 e relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, foi liberado para julgamento no plenário, mas ainda não tem data definida.
O objetivo central da ação é estabelecer limites adicionais para a celebração e validade das delações, com foco na proteção de garantias individuais. Caso o STF acolha os pedidos, haverá mudanças práticas na forma como Polícia Federal e Ministério Público conduzem negociações com investigados.
Um dos pontos principais trata da situação de investigados que firmam acordos enquanto estão presos. A ação propõe que, se a Justiça entender posteriormente que a prisão foi ilegal, toda a delação e as provas derivadas dela sejam anuladas.
Hoje, a legislação não prevê essa consequência automática. A proposta introduz a ideia de que a prisão pode comprometer a voluntariedade do acordo, o que poderia invalidar a colaboração.
Restrição a benefícios oferecidos
Outro eixo da ação envolve a limitação dos benefícios que podem ser concedidos ao delator. Entre as mudanças sugeridas estão:
• Proibição de extensão de vantagens a familiares do colaborador;
• Restrição de benefícios apenas aos crimes investigados no caso específico;
• Impedimento de concessão de imunidade ampla em outras apurações.
Na prática, essas medidas reduzem o escopo das negociações e tornam os acordos mais restritos ao processo em questão.
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A ação também questiona o uso de informações sigilosas de terceiros obtidas pelo delator. A proposta estabelece que dados como mensagens, e-mails ou registros privados só possam ser utilizados mediante autorização judicial específica.
O argumento é que esses conteúdos envolvem direitos fundamentais, como privacidade e sigilo de comunicações, que não poderiam ser flexibilizados apenas por meio de um acordo entre as partes.
Outro ponto relevante é a ampliação do direito de defesa de pessoas citadas em delações. A proposta permite que indivíduos delatados questionem judicialmente o próprio acordo, e não apenas medidas derivadas dele, como buscas ou prisões.
Atualmente, o STF admite contestação de atos baseados na delação, mas não do acordo em si. A mudança abriria espaço para questionamentos diretos sobre a validade e os termos da colaboração.
Investigações em andamento
Se aprovadas, as alterações criam novos critérios para validação de delações e podem aumentar o risco de anulação de provas. Isso exigiria maior rigor procedimental por parte das autoridades durante a negociação e execução dos acordos.
Além disso, a possibilidade de revisão posterior da legalidade da prisão e de contestação por terceiros amplia as frentes de questionamento judicial.
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A ação está pronta para julgamento no plenário do STF, onde será analisada pelos ministros da Corte. Desde sua apresentação, diferentes instituições se manifestaram sobre o tema.
A Procuradoria-Geral da República, em parecer de 2022, defendeu a rejeição da ação, argumentando que as mudanças propostas criariam regras não previstas na legislação. Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apoiou o pedido, afirmando que a aplicação atual das delações tem gerado distorções.
A decisão do STF definirá se haverá mudanças estruturais no modelo de colaboração premiada adotado no país.
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