Missão tripulada da Nasa deixou a órbita da Terra e agora está a caminho do satélite
A missão Artemis 2 concluiu na 5ª feira (2.abr.2026) a manobra que tirou a cápsula Orion da órbita da Terra e a colocou em trajetória rumo à Lua. A queima do motor principal, chamada de injeção translunar, durou cerca de 6 minutos e, segundo comunicado da Nasa, marcou a 1ª vez desde a Apollo 17, em 1972, que astronautas deixaram a órbita terrestre com destino ao entorno lunar.
O lançamento da missão foi na noite de 4ª feira (1º.abr). Fazem parte os astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen.
Segundo a Nasa, a Orion passou a seguir uma trajetória precisa em direção ao satélite natural da Terra depois da manobra, considerada decisiva para o restante do voo. Lori Glaze, administradora interina associada da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa, disse que o momento representa “progresso significativo” para o programa Artemis e para as próximas etapas da exploração lunar.
O êxito da queima veio depois de um 1º dia de voo dedicado a testes e checagens. Nas horas iniciais da missão, a Orion abriu seus 4 painéis solares, fez duas manobras para ajustar a órbita ao redor da Terra e se separou do estágio superior do foguete SLS (Space Launch System). A tripulação realizou uma demonstração de pilotagem manual, usando o estágio que havia impulsionado a nave como alvo de referência. Os astronautas enfrentaram problemas pontuais, como uma falha temporária de comunicação e um ajuste no vaso sanitário de bordo, normalizado ainda no início da viagem.
Ainda no 1º dia, a missão liberou pequenos satélites acoplados ao conjunto de lançamento e iniciou a adaptação dos astronautas ao ambiente espacial, com períodos de descanso, exercícios e verificações médicas. Segundo a Nasa, essa etapa inicial serviu para validar sistemas centrais da cápsula antes da queima que colocaria a tripulação a caminho da Lua.
A Artemis 2 é uma missão de teste com duração prevista de 10 dias. O objetivo não é pousar na superfície lunar, mas orbitar a Lua e voltar à Terra, num voo pensado para avaliar o desempenho da nave e os efeitos do espaço profundo sobre os astronautas. Entre os focos da missão estão o monitoramento da exposição à radiação, o comportamento do corpo humano fora da proteção do campo magnético terrestre e a interação da tripulação com sistemas automatizados da cápsula.
Na 2ª feira (6.abr), durante a passagem planejada ao redor da Lua, os 4 astronautas devem fotografar a superfície em alta resolução e fazer observações do lado oculto do satélite. Depois disso, a Orion iniciará o retorno e deverá pousar no oceano Pacífico, na costa de San Diego. Se o cronograma for mantido, a missão consolidará o 1º voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos e abrirá caminho para etapas mais ambiciosas do programa Artemis.




