Plano Clima foi finalizado depois de embates com agro e estabelece banda de variação de emissões no setor; fundo tem maior orçamento da história
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou nesta 2ª feira (16.mar.2026) o Plano Clima 2024-2035. É o conjunto de metas e estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Chegou com o maior orçamento já aprovado pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima: R$ 27,5 bilhões para 2026. Leia a íntegra (PDF – 9 MB).
Coordenado por 25 ministérios, o plano reúne metas de redução de emissões para 8 setores da economia, estratégias de adaptação a eventos climáticos extremos e instrumentos de financiamento. O objetivo declarado é levar o Brasil a emissões líquidas zero até 2050.
O Fundo Clima é operado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e administrado pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), que preside seu comitê gestor.
É o principal instrumento federal para o financiamento de ações que reduzam emissões de gases de efeito estufa no país. Funciona majoritariamente com recursos reembolsáveis: empréstimos que retornam ao fundo e permitem novos ciclos de investimento.
Os eixos de adaptação e mitigação foram aprovados em dezembro de 2025. A decisão desagradou ambientalistas pela taxa de aumento de 1% das emissões ao agro.
Nesta 2ª feira (16.mar), em reunião da Comissão Interministerial de Infraestrutura do Clima, o documento foi concluído. Foram aprovadas as 5 estratégias transversais: transição justa, mulheres e clima, meios de implementação, educação e pesquisa, e monitoramento e transparência.
FINANCIAMENTO
O orçamento aprovado na 5ª feira (12.mar) pelo comitê gestor do Fundo Clima é de R$ 27,5 bilhões em recursos reembolsáveis para 2026 –empréstimos a serem devolvidos pelos tomadores. Em 2022, o orçamento total do fundo era de R$ 446 milhões.
O plano também estabelece R$ 5,9 milhões em recursos não reembolsáveis. São destinados a projetos sem retorno financeiro direto, como sistemas de gestão de riscos em municípios e tecnologias sociais para segurança hídrica em comunidades vulneráveis.
O governo contabiliza R$ 52,4 bilhões mobilizados pelo Fundo Clima desde 2023. Pelo Eco Invest Brasil –programa que usa capital público para atrair investimento privado externo–, outros R$ 127 bilhões foram mobilizados. Desses, R$ 56 bilhões são de origem estrangeira.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), disse esperar fechar o ciclo de 4 anos perto de R$ 200 bilhões.
Quem arca é o pagador de impostos brasileiro.
O orçamento vem de 4 fontes combinadas:
- recursos novos aportados pelo governo federal a cada ano via LOA (Lei Orçamentária Anual);
- retorno das disponibilidades do próprio fundo;
- pagamentos de empréstimos concedidos anteriormente;
- e amortização dos juros dessas operações.
AGROPECUÁRIA: META AINDA DIVIDE
Questionado se o comitê pretende rever a taxa de variação permitida para o setor agropecuário, o secretário nacional de Mudança do Clima, Aluísio Melo, defendeu a meta sem sinalizar revisão.
O plano estabelece uma banda de variação de -7% a +2% nas emissões da agropecuária até 2035. A faixa vai de redução de 7% no melhor cenário a aumento de 2% no pior.
Melo argumentou que a meta representa, na prática, redução expressiva das emissões por unidade de produto. A projeção do governo é que o setor cresça 2,6% ao ano até 2035, tornando-o entre 30% e 40% maior do que hoje em volume de produção.
Manter as emissões absolutas estáveis nesse contexto implicaria corte significativo na intensidade carbônica, por meio de substitutos de fertilizantes nitrogenados e redução do metano do rebanho.
A meta exclui as emissões por mudança de uso da terra em propriedades rurais privadas, que têm objetivo separado e mais ambicioso: emissões negativas até 2035.




