Banqueiro declarou uma renda total de R$ 570 milhões referente ao ano; empresário teve direito a uma restituição de R$ 28.764
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou à Receita Federal uma renda total de R$ 570 milhões referente ao ano de 2024. Na declaração, o empresário também informou receber salário de R$ 1,17 milhão –pago pelo Master– no decorrer dos 12 meses.
Os dados constam em documentos, aos quais o Poder360 teve acesso, entregues pelo Fisco à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), após a quebra de sigilo bancário e fiscal de Vorcaro.
No mesmo ano, o então banqueiro teve direito a uma restituição de R$ 28.764. O saldo positivo se deu porque o imposto retido na fonte ao longo do ano (R$ 307 mil) superou o imposto devido calculado no ajuste anual (R$ 278,8 mil).
Em 2024, Vorcaro declarou um total de R$ 2.628.718.577,44 em patrimônio. Um ano antes, o valor era de R$ 1.417.804.148,47 –salto de R$ 1,21 bilhão. As investigações sobre o Master começaram em 2024, a pedido do MPF (Ministério Público Federal).
O ex-banqueiro está preso desde 4 de março de 2026. É suspeito de orquestrar um esquema de fraudes com a venda de títulos de crédito falsos pelo Master.
O Poder360 procurou a defesa de Vorcaro, mas não obteve resposta até a publicação. Esta reportagem será atualizada se uma manifestação for enviada.
CASO MASTER
Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando embarcava para os Emirados Árabes Unidos. A Polícia Federal suspeitava de risco de fuga. A prisão foi feita durante a 1ª fase da operação Compliance Zero, realizada em conjunto com o MPF, e que também resultou na detenção do banqueiro Augusto Lima.
Segundo a PF, o Banco Master emitia CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com a promessa irreal de pagar 40% acima das taxas praticadas pelo mercado. Um dia depois da prisão de Vorcaro, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Onze dias depois da prisão, Vorcaro foi solto.
Em março de 2026, a operação Compliance Zero chegou à sua 3ª fase, com a 2ª prisão de Vorcaro e de um grupo suspeito de monitorar e intimidar adversários do ex-banqueiro. Leia mais sobre a 2ª e a 3ª fase da operação nesta reportagem.




