
A incoerência da guerra é evidente: de que adianta a preocupação com o meio ambiente (trocar canudo de plástico por papel, banir o isopor) se os líderes insistem em conflitos armados?
O Brasil, com suas peculiaridades, seria um território inóspito para invasores. Os líderes que planejam guerras não suportariam o cotidiano brasileiro: um dia em pé no transporte público ou uma hora na fila do Detran seriao suficiente para desistirem.
Os soldados americanos: Rapidamente abandonariam o rigor militar. Perderiam tempo tentando manter gramados impecáveis, seriam atormentados por mosquitos (muriçocas) e, em pouco tempo, estariam de bermuda e chinelo, adotando expressões como “Fala brother!”, “isso é muito good” e “Oh my god do pagode”.
Os soldados israelenses: Após o desempenho frustrado no resgate em Brumadinho, seu destino no Brasil se limita à Bahia, para comemorar uma formatura com pimenta e cachaça, deixando o quipá guardado.
A paz dos brasileiros é frágil, mas impõe limites. Um invasor só estaria seguro até o dia em que ousasse tocar na louça da minha esposa usada para servir o almoço de domingo. A rotina aqui desmantela qualquer fantasia de guerra.
No Brasil, não haveria a presença constante de helicópteros e blindados; no máximo, um soldado se abanando e tomando “dindin” (geladinho). O conflito só persistiria enquanto fosse possível manter o mínimo de dignidade e economia informal. A guerra teria um fim abrupto no dia em que meu pai não conseguisse mais beber e comprar cigarro falsificado por menos de vinte reais. Tal crise de sobrevivência desencadearia uma rebelião interna contra qualquer governo.
Somos um povo pacífico por vivermos em um equilíbrio de extremos: metade nas igrejas, metade na esbórnia, conciliando a fé com a dureza da vida, em busca de momentos únicos de prazer e perdão. A guerra só será uma ameaça real quando os bares e as igrejas forem fechados. As escolas e o serviço público já funcionam na expectativa do próximo feriado ou recesso.
Rapidamente, o “jeitinho brasileiro” dominaria os invasores e a paz mundial seria estabelecida. Isso viria acompanhado de melhorias sociais como: uma escala de trabalho justa, menos sobrecarga para as mães, donos de pets recolhendo as fezes dos cachorros e o bicheiro sempre pagando em dinheiro vivo aos acertadores.
Aos líderes que insistem em “brincar de armas”, caso decidam invadir o Brasil, um último pedido: bombardeiem primeiro os bancos e a Receita Federal. Um pedido pessoal para prenderem os agiotas também.
Paz.
Fui.
Thiago Maroca é definitivamente contra a guerra. Escreve com um tom de humor mas detesta a possibilidade de vidas serem tiradas por um delirio de qualquer liderança internacional.
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