Moraes manda afastar policiais suspeitos de ter ligação com o CV

Entre os alvos estão 12 integrantes de forças de segurança; investigação diz que eles atuavam na segurança de traficante

O ministro do STF  (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de 15 investigados por vínculos com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada em 6 de março e tornada pública nesta 4ª feira (11.mar.2026). Leia a íntegra da decisão (PDF – 3 MB).

Entre os alvos estão 12 integrantes das forças de segurança: 7 policiais militares, 3 policiais civis, 1 delegado da Polícia Federal e 1 policial penal.

A Polícia Federal investiga a atuação conjunta entre facções criminosas e agentes públicos. O inquérito apura como os investigados favoreceriam interesses de grupos criminosos. A investigação também analisa interferências em apurações policiais.

Segundo a Polícia Federal, policiais civis teriam exigido R$ 1,5 milhão do traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio ou Índio do Lixão. O valor seria para encerrar uma investigação que tramitava na 44ª Delegacia de Polícia.

A apuração cita crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Há suspeita de extorsão, contrabando e tráfico internacional de armas e drogas. A investigação aponta venda ilegal de armas e munições para lideranças do tráfico.

Segundo a investigação, um núcleo de policiais militares atuou na segurança pessoal do traficante Índio do Lixão, com apoio logístico e escoltas armadas em deslocamentos.

“Os elementos de prova apresentados pela Polícia Federal indicam não apenas a gravidade das condutas caracterizada por relações espúrias entre o alto escalão da segurança pública e o crime organizado armado, mas, também, o periculum libertatis, na medida em que a liberdade dos investigados permite a continuidade do fluxo financeiro ilícito e, por conseguinte, abala a ordem pública e a credibilidade das instituições”, afirmou Moraes.

AFASTAMENTOS

O ministro determinou o afastamento dos investigados de suas atividades. A medida vale enquanto durar a investigação.

Moraes mandou bloquear ativos financeiros até o limite de R$ 36,3 milhões contra investigados e empresas ligadas a eles. A decisão estabeleceu o bloqueio de R$ 1,5 milhão em criptoativos.

A Polícia Federal foi autorizada a realizar buscas nas casas de todos. Podem ser apreendidos armas, celulares, computadores, documentos e outros bens que auxiliem na apuração.

O ministro autorizou o acesso aos dados telefônicos e telemáticos dos investigados referentes aos últimos 6 meses.

São alvos de mandado de prisão preventiva:

  • Marcus Henrique de Oliveira Alves, delegado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro;
  • Franklin José de Oliveira Alves, comissário da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro;
  • Leandro Moutinho de Deus, oficial de cartório da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro;
  • Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, civil suspeito de intermediar os pagamentos de vantagens indevidas;
  • Alessandro Carracena, advogado acusado de utilizar sua influência política para intermediar vantagens indevidas;
  • Fabrizio José Romano, delegado da Polícia Federal;
  • Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, policial penal do Estado do Rio de Janeiro;
  • Patrícia Carvalho Falcão, advogada suspeita de ter ciência e participar dos pagamentos indevidos;
  • Flávio Cosme Menezes Pereira, policial militar do Estado do Rio de Janeiro;
  • Franklin Ormond de Andrade, policial militar do Estado do Rio de Janeiro;
  • Ênio Cláudio Amâncio Duarte, policial militar do Estado do Rio de Janeiro;
  • Alex Pereira do Nascimento, policial militar do Estado do Rio de Janeiro;
  • Leonardo Cavalcanti Marques, policial militar do Estado do Rio de Janeiro;
  • Ricardo Pereira da Silva, policial militar do Estado do Rio de Janeiro;
  • Rodrigo Oliveira de Carvalho, policial militar do Estado do Rio de Janeiro.

Além disso, segundo Moraes, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) deve nomear um representante para acompanhar as diligências determinadas por ele.


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