O medo de parar

“Célia, uma pessoa te ligou aqui, querendo cancelar um projeto.”

Célia não imaginava que aquela ligação iria deixá-la sem chão. Nesse dia estava super bem, inspirada, com sua caneca de café na mão e rindo com sua equipe… Parecia que nada poderia abalar.

Como, justamente, a empresa que ela tanto se dedicou a desenvolver sua visibilidade, por quase 5 anos e ter chegado ao fim? O que seria não querer mais os seus projetos?

Célia quis agendar uma reunião com esse pessoal, saber mais afundo o que acontecia… recebeu um áudio da empresa dizendo que não conseguiam agendar a reunião pela correria, e no finalzinho dos 10 segundos de um áudio de três minutos ela escuta, e ficou sem entender nada: “quero agradecer por esses tempos com a gente, sem dúvida a gente não seria o que a gente é sem vocês”.

Naquele momento, a primeira coisa que se pensou foram os boletos, sim, os malditos boletos… As pessoas, o time, o filho… Mas o agradecimento foi para o espaço sideral.

“Parece um prédio desmoronando na sua frente e você não sabe ao certo o que fazer, se corre, se chora, se vai junto…” – Foi isso o que disse para a sua amiga que estava do seu lado, na hora que escutou o áudio do dono da empresa.

Sua amiga apenas disse, terminando seu milshake de morango: “Mulher, sai um entra três…!”

Célia olhou pro céu e como ela queria entender o universo, como ela queria não se preocupar… Como não se preocupar? Como?

Pelos pensamentos intrínsecos dela, se fosse pensar em cima do que se via pelo celular, tanta miséria, tanta guerra, tanta gente vendendo mentira e ela querendo ser profissional e se sentindo totalmente perdida. Qualquer tipo de elogio era afronta, o medo tomava conta do corpo dela de um jeito que não conseguia enxergar nada, o corpo parou, no meio da rua.

Eu não chamaria de choro, mas Célia desabou. Por que acontecer com ela? Se buscou sempre fazer o melhor? O que fez nas vidas passadas pra passar por isso? Que castigo divino era aquele?

Normalmente, não paramos em nenhum instante, principalmente quando as coisas estão bem, poderia ser diferente, né? Quando houvesse estabilidade, um momento de escuta interior, um café somente por prazer, não por obrigação de se manter acordada.

Talvez a Célia seja só a ponta do iceberg do que mulheres vivem, dos desapontamentos, do medo tomar conta de um jeito e o cérebro já correr para achar uma solução. A falta desse controle deixa as pessoas desnorteadas, não é só ela, é um pessoal junto com ela. O que o presente diz que o futuro ainda não mostrou?

Mas, o mais engraçado de tudo é que são só nesses instantes, que se dá o direito de pensar, analisar e observar o que está errado. Nem sempre o que é preto e branco é triste, mas sim o equilíbrio, e nem tudo que é colorido necessariamente é feliz, ou seja, a partir do sentir o “aqui e agora” é que faz a diferença daqui por diante.

Não se compara às dores que vivemos e nem o medo de Célia a tantas outras mulheres que vivem com medo de mudanças. Acreditar em um futuro melhor é constante em nossas cabeças, e a de Célia não seria diferente.

A partir do momento que sai a empresa que tanto ela amava, a questão agora não era ter mais cinco como dizia a amiga, é poder lidar com esse medo e seguir para os próximos passos que mostravam ser diferentes, e se não há o controle disso, talvez seja o enigma mais bonito da vida de nos surpreender, de ver que existia algo muito maior nos esperando abrir mão.

Passar por isso não é errado, dói e é um processo de construção que passamos, independente de cor, idade, o melhor que podemos ver é, mesmo que não tenhamos controle de tudo, ao menos, podemos mostrar que não estamos sozinhas nisso.

Você é especial e essencial, Célia, vai dar tudo certo. 

Aimée é uma planejadora urbana com mais de 15 anos de experiência em Marketing, consultora de pós-graduação em NeuroMarketing, Artista Visual internacional e CEO da Tkart, uma empresa internacional de marketing.
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