Tóquio solicita tratamento igual ao pacto acertado de julho após Trump anunciar nova tarifa global de 15%
O governo do Japão avalia que poderá enfrentar tarifas mais altas caso os Estados Unidos avancem com um novo regime de impostos de importação, mas pediu a Washington tratamento equivalente ao acordo comercial firmado entre os 2 países em julho do ano passado. A sinalização foi dada nesta 3ª feira (24.fev.2026) por integrantes do governo japonês.
O alerta ocorre depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciar tarifa de 15% sobre importações de todos os países, percentual máximo permitido por legislação distinta da IEEPA (International Emergency Economic Powers Act), cujo uso para justificar tarifas foi barrado pela Suprema Corte na 6ª feira (20.fev).
O ministro do Comércio do Japão, Ryosei Akazawa, disse que Tóquio solicitou condições “igualmente favoráveis” às negociadas no ano passado. Segundo ele, parte das exportações japonesas que hoje têm redução tarifária pode ser afetada caso o novo regime seja aplicado. Ainda assim, afirmou que o entendimento fechado em julho é “vantajoso para os 2 lados” e descartou viagem aos EUA para reabrir negociações. As informações são da agência Reuters.
Na 2ª feira (23.fev), Akazawa conversou por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. De acordo com o ministério japonês, o ministro reiterou que o acordo será implementado “de boa-fé e sem demora”.
O entendimento firmado em julho reduziu para 15% as tarifas sobre automóveis e outros produtos japoneses. Em contrapartida, o Japão anunciou pacote de US$ 550 bilhões em empréstimos e investimentos direcionados aos EUA. Na semana passada, os 2 países divulgaram os 3 primeiros projetos financiados com recursos japoneses, avaliados em US$ 36 bilhões: terminal de exportação de petróleo, fábrica de diamantes industriais e usina termelétrica a gás.
O governo japonês não pretende revisar o acordo antes da visita da primeira-ministra Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrático, direita) aos Estados Unidos, prevista para o próximo mês. A avaliação interna é que reabrir o tratado pode provocar reação de Trump, com aplicação de tarifas setoriais mais duras, sobretudo contra a indústria automobilística japonesa.
Trump também declarou que países que recuarem de acordos comerciais com Washington poderão ser alvo de novas taxas com base em outras legislações comerciais. Diante da decisão da Suprema Corte, autoridades japonesas disseram que examinarão os detalhes do julgamento, mas mantiveram a estratégia de preservar o acordo atual e a estabilidade da relação bilateral.




