Mudança nos subsídios e imposto de 5% sobre elétricos reduzem participação dos veículos de nova energia para 41,7%
O mercado automotivo doméstico da China iniciou o ano em retração, com queda de 14,8% nas vendas em janeiro na comparação anual. O setor enfrentou mudanças nas políticas de incentivo do governo.
As vendas internas totalizaram 1,665 milhão de veículos no mês passado, recuo de 33,9% em relação a dezembro, segundo a CAAM (China Association of Automobile Manufacturers).
Dois fatores explicam o desempenho. Embora as autoridades nacionais tenham anunciado, no fim de 2025, novas políticas de subsídio para troca de veículos, os detalhes de implementação em várias regiões ainda não foram definidos. Na prática, os incentivos não foram totalmente aplicados. Ao mesmo tempo, o governo alterou, a partir de 2026, o imposto de compra sobre veículos de NEVs (nova energia). Após isenção integral desde setembro de 2014, os compradores passaram a pagar taxa de 5%, o que elevou o custo de aquisição.
A transição nas políticas interrompeu temporariamente a expansão acelerada dos NEVs e evidenciou a dependência do mercado em relação aos incentivos oficiais. O impacto foi mais forte no segmento de baixo custo, que havia avançado com os subsídios anteriores, e entre montadoras focadas exclusivamente em NEVs, como a BYD Co. Ltd.
As vendas domésticas de NEVs caíram 18,9% em janeiro ante igual mês do ano anterior, para 643 mil unidades. A retração foi mais intensa que a observada nos veículos a gasolina, cujas vendas somaram 1,022 milhão de unidades, queda de 11,9%.
O movimento contrasta com 2025, quando a penetração dos NEVs superou a dos modelos a combustão pela 1ª vez, alcançando 54% das vendas anuais de automóveis de passeio. Em janeiro, porém, a participação dos NEVs recuou para 41,7%, abaixo dos 43,5% registrados um ano antes.
A BYD, que produz só veículos de nova energia e liderou as vendas na China em 2024 e 2025, registrou queda de 30,1% nas vendas em janeiro, para 210 mil unidades, e passou à 4ª posição no mercado. A liderança ficou com a SAIC Motor Corp. Ltd., com 320 mil veículos vendidos, alta de 24,5%. Em seguida aparecem a Geely Automobile Holdings Ltd. e a FAW Group Corp. Ltd.
As mudanças na estrutura de incentivos afetaram de forma mais intensa os modelos de menor valor. Em 2025, subsídios com descontos fixos impulsionaram a venda de NEVs acessíveis. As vendas de carros elétricos de passeio com preço inferior a 80 mil yuans (US$ 11.484) avançaram 51,8%, enquanto os modelos na faixa entre 80 mil e 150 mil yuans cresceram cerca de 60% a 80%.
Em janeiro, o cenário se inverteu. As vendas no segmento abaixo de 80 mil yuans recuaram 49,9% na comparação anual. O crescimento nas faixas entre 80 mil e 100 mil yuans e entre 100 mil e 150 mil yuans desacelerou para 24,6% e 6,4%, respectivamente.
As políticas de subsídio de 2026 passaram a considerar o preço do veículo, mudança que tende a manter pressão sobre as vendas de NEVs de baixo e médio valor.
Um integrante da CAAM disse em meados de janeiro que o crescimento das vendas de NEVs com preço inferior a 150 mil yuans deve desacelerar de forma significativa em 2026. Já Cui Dongshu, secretário-geral da China Passenger Car Association, escreveu no fim de janeiro que projeta “forte contração” nas vendas de veículos elétricos pequenos e micro neste ano. Segundo ele, os incentivos mais agressivos dos últimos 2 anos anteciparam compras futuras, efeito que começa a aparecer agora.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 11.fev.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.




