O santo que veio das caravelas

Cheguei à casa da minha mãe e não demorei muito a notar, entre as estantes repletas de santos que decoram a sala, uma pequena imagem totalmente desbotada, era singela, discreta…

Percebi que se tratava de São Francisco de Assis. Pela roupa, pelo cabelo, pelo gesto. Mesmo desgastada, a estátua carregava uma vivacidade que dispensava comentários. Ainda resistiam resquícios de cor, nuances suaves, uma simplicidade que dava a estranha sensação de milagre: como algo assim conseguiu atravessar tantos séculos?

Foi um presente que minha mãe recebeu há alguns anos. Não passou oficialmente de pai para filho, mas carrega mais de quinhentos anos de história. Imaginem por quantas mãos essa imagem já passou…Quantas casas… Quantas viagens… Quantas despedidas.

E, enquanto eu observava, pensei como guardamos histórias e sensações que não estão escritas em livros, mas esculpidas em objetos e em imagens. 

O tempo desgasta, mas nunca se desgasta as mentes curiosas:

Quem fez?  Por que foi feito assim?  Será que o pau é oco?  Será que há algo escondido dentro?  Será que realmente atravessou todos esses séculos? Será que algum dono morreu durante uma viagem numa velha caravela?

Talvez a semente plantada sobre a nossa existência nunca será explicada, mas o mistério nos comove… E a fé vibra de um jeito curioso quando chega às mãos de uma família. 

Aquela imagem, simples, simboliza espiritualidade, memória e a lembrança de que a simplicidade pode nascer de um pedaço de madeira esculpido com intenção.

Talvez esse tenha sido o objetivo quando os jesuítas chegaram ao Brasil. Talvez alguém, em alguma oração silenciosa, tenha pedido apenas que aquela imagem atravessasse gerações. E atravessou.

Mesmo sem sabermos quem fez, de onde veio e qual foi o real intuito, mesmo sem saber se veio boiando no oceano ou guardada no fundo de um baú… O fato é que chegou. E chegou até nós.

Talvez por um descuido. Talvez por alguém achar que era um objeto sem valor, velho, feio. 

Mas agora, toda vez que olho para esse santo, penso no quanto nossa história é rica. E no quanto deveríamos valorizar mais os enredos invisíveis, os porquês, as origens, as pequenas coisas que tornam o mundo tão diverso e tão cheio de sentido.

Pensar com Arte é pensar diferente!

Aimée é uma planejadora urbana com mais de 15 anos de experiência em Marketing, consultora de pós-graduação em NeuroMarketing, Artista Visual internacional e CEO da Tkart, uma empresa internacional de marketing.
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