Olhar para o ano que passou através do mosaico de fotos no celular e perceber que, afinal, não foi de todo ruim. Houve viagens, novos sabores, a beleza das flores, lugares, pessoas, shows, eventos, cidades diferentes, cachoeiras, a alegria do carnaval, o prazer do ovo de Páscoa, a festividade junina, feriados, muito sol, muita chuva e a celebração de aniversários de entes queridos. Os pequenos respiros que a vida nos concede em meio à correria diária nos lembram que a existência não se resume apenas a pagar contas. As coisas boas acontecem para aqueles que, de vez em quando, saem do piloto automático — e isso não significa esbanjar dinheiro, mas sim dar qualidade ao tempo que está em nossas mãos.
Este início de novo ciclo pode ser o momento ideal para listar os desejos futuros: retomar os estudos, adquirir um novo conhecimento, explorar novos lugares, concretizar alguns sonhos, sempre valorizando as metas como vitórias intermediárias até o objetivo final. Aproveite também para fazer uma faxina: desinstale aplicativos inúteis, desapegue das roupas que já não refletem quem você é hoje, livre-se de objetos que nunca foram usados e afaste-se dos “amigos” que nunca conseguem reservar um tempo. Se sentir necessidade, faça uma limpeza espiritual: começar evitando pensamentos negativos e praticando algum tipo de serviço voluntário, mesmo que pontual, já é um saldo positivo. Valorize o que está perto; há muita coisa boa ao nosso redor que muitas vezes não notamos. Por fim, permita-se apreciar um final de semana inteiro em casa, inventar uma receita com o que resta na despensa, fazer algo manual ou simplesmente ficar boas horas em completo tédio. Que tal viver de acordo com a sua realidade econômica? Este, sim, é o verdadeiro “chá revelação” da classe social.
Mais um ano se finda, com ou sem grandes expectativas. Alguns projetos foram concretizados, outros descartados; novas pessoas chegaram, e as de sempre permaneceram. Tristezas, derrotas, perdas e a ansiedade por algo indefinido se misturam com as pequenas alegrias do cotidiano. Não se deixe abater pela conquista alheia; o simples fato de estar vivo já é motivo de celebração. Manter-se de pé, com a coluna ereta, transmite mensagens que, embora não saibamos, são notadas pelos outros. Ser feliz é, de fato, uma arte.
Pegue aquela lista de dez anos atrás, se for o caso, e renove os votos com a mesma inocência de outrora. Apenas dê o primeiro passo naquele projeto que insiste em sua mente. Trabalhe com a grandiosidade de uma criança, levante um tijolo por dia e comemore cada avanço como um grande conquistador. Reserve um tempo para refletir sobre suas ações: pense mais e fale menos, brigue menos, reduza os vícios. É no dia a dia que encontramos o sentido da vida ou ressignificamos aquilo que talvez o tenha perdido.
Vá com calma, mas não se esqueça: onde quer que você esteja, eu acredito em você.
Vamos celebrar!
Feliz ano novo!
Thiago Maroca é escritor, cineasta e educador. Pai do Théo, chefe escoteiro e um otimista pelas pequenas conquistas diárias.
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