O ponto alto da COP30, do povo, da zona verde, foi a Marcha pelo Clima. Um sucesso. Mais de cinquenta mil pessoas encheram as ruas de Belém ao som de tecnobrega e outros ritmos. Frevo, samba, toadas e até harekshinas. Muitos movimentos estavam presentes na passeata, inclusive o sol. O vento ficou em casa achando que teria confusão, fez uma falta danada. Três quilômetros com a sensação de dez. O cortejo mostrou a alegria nas ruas, muitas alegorias, música em todos os ritmos e palavras de ordem.
No mesmo dia, o Remo perdeu de 3×1 para Avaí, o time está na berlinda para subir para a elite do Brasileirão, com certeza tem macumba do torcedor do Paysandu no meio, uma vez que o papão está em último, pronto para descer para o grupo C. Não importa se o açaí é do grosso ou se o tacacá veio com pouca goma, a reforma do Ver o Peso melhorou o espaço, aproveitei e comprei um bombom de cada sabor exótico para a galera lá de casa. Bacuri, murici, taperebá, uxi, tapioca, cupuaçu, pupunha, bacaba… Já nas docas, tudo isso vira sabor de sorvete. A dieta fica para o ano que vem.
O Círio de Nazaré é uma grande cerimônia religiosa que acontece há mais de 200 anos em Belém. O povo se espreme para puxar a corda que traz a santa com o objetivo de pagarem suas promessas, aprendi muito no museu do Círio, depois visitei o forte do presépio e a casa das onze janelas, acompanhado sempre de muitos gringos e cachorros caramelo. Terminamos o rolê na estação das docas, com uma vista linda para a baía do Guajará. Várias embarcações trazendo suas mensagens, como Banzeiro da esperança. O melhor guia turístico de Belém é a música da Joelma, em um parágrafo ela cita os principais pontos para visitar e comer, tudo num raio de dois quilômetros. Para enriquecer a sabedoria musical, eu assisti o show do grupo Arraial da Pavulagem com cultura folclórica, dança e alegria. O paraense é feliz, animado, gozador e simpático. A impressão que fica é de já ser conhecido de todo mundo. Aqui eu aprendi a saborear todo tipo de farinha. Tapioca, Lavada, grossa, d’água, suruí, branca e Bragança.
Voltando para jantar e dormir, paramos em um barzinho com refeição. Do outro lado da rua, a aparelhagem tentava animar os remistas que dançavam e bebiam a derrota do time. O tempo inteiro o DJ fica interrompendo a música para anunciar seu nome:
JOSIMARRRRRR
ÉGUA DE LUGAR ANIMADO!
FUI!
Thiago Maroca é escritor e amante da cultura brasileira. Primeira vez que visita o norte, pretendendo trazer a família.




