Tesouro Direto sai do ar com taxas em queda, à espera do Copom

A plataforma do Tesouro Direto saiu do ar no começo da tarde desta quarta-feira (4), em um dia de taxas em queda e de melhora do humor nos mercados externos depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A interrupção ocorre horas antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, marcada para as 18h30.

Antes da saída do ar, as taxas já vinham recuando ao longo do dia. Na abertura, o Tesouro IPCA+ 2032 caiu 11 pontos-base e voltou para baixo de 8%, ao passar de IPCA + 8,04% no fechamento de terça-feira (3) para IPCA + 7,93%. Entre os prefixados, o Prefixado 2032 recuou de 15,61% ao ano para 15,54%, o Prefixado com Juros Semestrais 2037, de 15,48% para 15,42%, e o Prefixado 2029, de 15,19% para 15,13%. Nos títulos atrelados à inflação de prazo mais longo, o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 caiu de IPCA + 7,56% para IPCA + 7,49%, e o IPCA+ 2050, de IPCA + 7,41% para IPCA + 7,40%.

O recuo das taxas ocorre em meio à melhora do ambiente internacional depois de os democratas conquistarem o controle da Câmara e do Senado americanos, em um revés para o presidente Donald Trump. Os rendimentos dos Treasuries recuaram, o petróleo caiu quase 3% e as bolsas de Nova York e da Europa subiram. Para Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester, o resultado das eleições americanas “joga o petróleo e os juros para baixo”, afirma.

No Brasil, o Ibovespa subia mais de 1% no fim da manhã e caminhava para interromper uma sequência de seis quedas, e o dólar recuava. O mercado avalia que um Congresso de oposição pode levar a um impasse nas negociações orçamentárias com a Casa Branca.

A decisão do Copom será a primeira desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Selic está em 13,75% ao ano. Antes do segundo turno, a maior parte do mercado esperava um corte de 0,25 ponto percentual, mas a desvalorização do real, a alta dos juros futuros e a piora das expectativas de inflação aumentaram as apostas em manutenção.

“A piora das projeções de inflação, a alta dos juros futuros e a depreciação do real reduziram o espaço para o Copom avançar com cortes adicionais sem aumentar a percepção de risco fiscal e de credibilidade da política monetária”, afirma Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil. Para Marianna Costa, economista da Mirae Asset, “a decisão e o comunicado serão importantes para avaliar como o Banco Central incorpora a piora do balanço de riscos e se mantém aberta a possibilidade de retomada dos cortes adiante”.

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Veja as taxas do Tesouro Direto na abertura desta terça-feira (4):

Título Rendimento Anual Vencimento
Tesouro Reserva 2036 SELIC 01/01/2036
Tesouro Selic 2031 SELIC + 0,1062% 01/03/2031
Tesouro Prefixado 2029 15,13% 01/01/2029
Tesouro Prefixado 2032 15,54% 01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 15,42% 01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 7,93% 15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 IPCA + 7,82% 15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,61% 15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 IPCA + 7,54% 15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 7,40% 15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 IPCA + 7,49% 15/08/2060

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