A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina), deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Cáritas, para desarticular uma organização criminosa suspeita de arrecadar quase R$ 10 milhões por meio de falsas campanhas de doação na internet.
Até o momento, cinco investigados foram presos: dois em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC).
A operação também resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil (quatrocentos mil dólares), o equivalente a R$ 2,14 milhões, conforme a cotação desta quarta-feira.
A ação ocorre simultaneamente no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.
A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais.
As equipes continuam as diligências para cumprir as medidas judiciais pendentes. Falsas campanhas exploravam a solidariedade das vítimas
As investigações apontaram que o grupo criava e divulgava páginas falsas de arrecadação de donativos, utilizando imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para sensibilizar o público e induzir as vítimas a realizar transferências financeiras. Para ampliar o alcance das fraudes, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo a tecnologia deepfake, para produzir vídeos falsos com imagens de personalidades públicas, como o cantor Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
Os conteúdos também incluíam representações religiosas, entre elas imagens de Jesus Cristo.
As publicações circulavam nas redes sociais e direcionavam os usuários a páginas que simulavam campanhas beneficentes legítimas.
Os valores arrecadados, porém, eram encaminhados a contas bancárias controladas pelo grupo investigado. Mais de 215 mil transações em 45 dias
A análise financeira revelou a dimensão do esquema. Entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada à organização recebeu 215.575 transações, que totalizaram R$ 9.839.087,73.
Os pagamentos eram, em sua maioria, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. O padrão indica a possibilidade de um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país, embora a quantidade de transações não corresponda necessariamente ao número de pessoas lesadas. Segundo as investigações, a organização mantinha uma estrutura com divisão de tarefas.
Os envolvidos atuavam no desenvolvimento tecnológico das fraudes, na administração de redes sociais, na formalização de empresas e na movimentação e dispersão dos recursos financeiros.
A análise de contas eletrônicas também revelou mais de 230 GB de arquivos, entre vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais destinados à produção de novas campanhas fraudulentas.
Em uma única conta, os investigadores encontraram mais de 210 GB de conteúdo.
No Distrito Federal, cruzamentos de informações identificaram 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas.
Entre os casos estão golpes de falsas compras, boletos fraudulentos.

