Maioria dos casos é inofensiva, mas fibrilação atrial eleva em cinco vezes o risco de AVC sem tratamento
A maioria das arritmias é inofensiva e tem tratamento, mas um grupo menor pode levar à parada cardíaca em poucos minutos. A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) estima que o problema atinja uma em cada quatro pessoas ao longo da vida e que seja responsável pela morte súbita de cerca de 300 mil brasileiros por ano. O deputado federal André Janones (Rede-MG) está internado desde a madrugada desta segunda-feira (19/10) na UTI do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, com arritmia grave e falta de ar, segundo sua assessoria. O hospital não informou o tipo de arritmia nem a causa.
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O coração bate porque tem um sistema elétrico próprio. A cada batida, o nó sinusal dispara um sinal que percorre o músculo de forma organizada. Arritmia é quando esse ritmo se altera: o coração passa a bater mais rápido, mais devagar ou de forma irregular. Antonio Amorim, presidente do Grupo de Estudos em Emergências Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), afirma que a imensa maioria é benigna e tem tratamento, mas algumas favorecem a formação de coágulos que causam acidente vascular cerebral (AVC) e outras podem levar à parada cardíaca.
As arritmias se classificam pelo que acontece com a batida. Entre os tipos estão o coração lento (bradiarritmia), a aceleração natural, a batida fora de hora, o disparo repentino, a fibrilação atrial (a mais frequente, sobretudo com a idade) e as arritmias ventriculares (menos comuns, mas as mais sérias). As que surgem na parte de baixo do coração, as ventriculares, são a causa de boa parte das paradas. Na fibrilação atrial, o risco maior está no cérebro: sem anticoagulante, o risco de AVC é cinco vezes maior.
A fibrilação atrial, a mais comum entre as arritmias sustentadas, eleva em cinco vezes o risco de derrame sem tratamento adequado.
Em geral, quem tem arritmia já nasce ou se torna mais sensível a ela, e um fator externo (estresse intenso, privação de sono, desidratação, excesso de cafeína) funciona como gatilho. Doenças do coração, pressão alta, diabetes, alterações de potássio e magnésio, excesso de hormônios da tireoide e alguns medicamentos também aumentam a susceptibilidade. O sintoma mais frequente é a sensação de coração disparado, batendo forte ou falhando sem motivo aparente. A falta de ar, presente no quadro do deputado, pode ocorrer quando o coração chega a 160 a 200 batimentos por minuto em repouso.
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O eletrocardiograma é o principal exame, especialmente se feito durante a crise. O Holter e o teste de esforço também podem ser solicitados. Quando a arritmia é perigosa, o tratamento começa no pronto-socorro e pode incluir medicamentos ou cardioversão elétrica. Depois da crise, o acompanhamento depende do tipo: remédios, ablação por cateter, marca-passo ou cardiodesfibrilador implantável. Coração acelerado com mal-estar ou sensação de que vai desmaiar exige ida imediata ao pronto-socorro. Também é urgência a palpitação acompanhada de dor no peito, falta de ar forte ou sinais de AVC. Nessas situações, pode-se ligar para o Samu, no 192.
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