Relatório ao STF cita atuação na negociação com o Master
A Polícia Federal apontou “interferência política direta” do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) na negociação considerada fraudulenta pelos investigadores entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
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A defesa do ex-chefe do Executivo, representada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse ter recebido o relatório com “tranquilidade”. Afirmou que Ibaneis Rocha (MDB) “não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência nas operações realizadas pelo BRB”.
O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 28 de setembro, com o sigilo derrubado nesta sexta-feira (9/10). A PF analisa que, diante de mensagens, fatos e tratativas, os elementos indicam que Ibaneis Rocha (MDB), como acionista controlador do BRB, “não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais”.
A PF concluiu que decisões estratégicas do BRB eram submetidas a Ibaneis Rocha (MDB) antes da deliberação formal e que a atuação indica “captura institucional”.
Segundo o relatório, ele atuou de forma direta na autorização dos montantes do aumento de capital, na definição da estratégia de expansão, na validação de decisões operacionais críticas e na articulação com agentes privados. As comunicações demonstram que decisões relevantes eram submetidas previamente à apreciação dele, “antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública”.
Em conversas de outubro de 2024 entre Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, o dirigente manifestou preocupação com o mercado sobre o aumento de capital e a necessidade de “dar sinais ao mercado”. As mensagens estão próximas da autorização, pelo acionista controlador, do aumento de R$ 750 milhões, na proporção 40/60, já submetida ao Conselho de Administração. Paulo Henrique Costa falou em “preparar a história toda que vamos contar em 3 meses da consolidação e do novo banco” e disse que “ontem, na conversa com o governador, abordamos isso”. A PF afirma que, já em outubro de 2024, a aquisição e a integração do Master ao BRB estavam definidas no plano estratégico e que, “em exatos 3 meses, após a aprovação do Aumento de Capital, se iniciaram as tratativas entre o governador Ibaneis, Daniel Vorcaro, Paulo Henrique para aquisição do Master pelo BRB”.
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O relatório cita encontro em Zurique, na Suíça, em 23 de janeiro de 2025, descrito como marco inicial do processo. Participaram Ibaneis Rocha (MDB), Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e uma pessoa identificada como Leonardo. Em 20 de janeiro, Paulo Henrique Costa escreveu a Vorcaro: “Amigo, quando vc vem a Zurique? O Governador pediu para marcarmos uma reunião”. O jantar foi marcado no restaurante Kronenhalle às 20h30. Três dias depois, Vorcaro encaminhou mensagem do jornalista Lauro Jardim questionando se o BRB estava se tornando sócio do Master. Paulo Henrique Costa respondeu que “não ampliamos em nada o escopo das pessoas envolvidas no deal” e acrescentou: “Voltei na sexta da Suíça e não sei se o Governador ou Léo estiveram com alguém”. A PF atribui a conversa à preocupação com a possibilidade de divulgação das tratativas.
Na nota, Kakay afirmou que o relatório “corrobora, mais uma vez, aquilo que é apontado por esta defesa desde o início”. Disse que o então presidente do banco detinha total autonomia para as negociações e que o contato com Ibaneis Rocha (MDB) se deu em contexto institucional. Ressaltou que o ex-governador “não é interlocutor direto em nenhuma mensagem com Daniel Vorcaro e seu nome somente é mencionado pela Polícia Federal em quatro oportunidades, o que não permite imputar qualquer responsabilidade ao ex-governador”.
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